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Hoje em dia, as empresas trabalham pelo lucro, pela ascensão na economia em seu setor de atuação e pelo desenvolvimento econômico do país como um todo. Afinal, se a economia ascende, ela atrai investimentos, emprega mais e melhor, refletindo dentro das empresas. Mas, e quando se fala em produtividade? Essencial para lucro e crescimento, a produtividade brasileira vem decaindo consideravelmente nos últimos anos.

Empresas aqui vêm experimentando um gargalo operacional proporcionado pela ideia de que a produtividade depende de grandes investimentos em tecnologia. Contudo, precisamos pensar: quem produz? Não é um bot e muito menos um super sistema de TI.

Quem toma as decisões estratégicas são pessoas, e aí percebemos que talvez estejamos testemunhando um movimento falho das empresas brasileiras neste sentido: todas as organizações querem ser produtivas, mas, entre direcionar todo o investimento para tecnologia de última geração ou fazê-lo associado a uma estratégia focada em conhecer colaboradores e suas habilidades interpessoais que podem melhorar o fluxo de trabalho, pouquíssimas são as que ficam com a segunda opção.

E aí reside o erro. Partindo do princípio de que produtividade é fazer mais com os mesmos recursos ou com menos, só investir em tecnologia não é a resposta certa. Mas vale considerarmos alguns pontos. Dados da Deloitte mostram que a produtividade brasileira chegou a um decréscimo de 0,2%, de 2010 a 2017. Segundo o ministro Paulo Guedes (Economia), o plano é fazer com que as empresas aumentem sua produtividade em 20% até 2020.

Contrastando esta meta com os dados de mercado, o cenário é desafiador. E não porque as empresas não conseguirão ampliar produtividade de forma consistente, mas porque as iniciativas da maioria ainda são inconsistentes. Falta considerar o essencial: o desenvolvimento das chamadas soft skills dos colaboradores como base operacional, a valorização do fator humano, com todas as suas particularidades, acima de qualquer outra estratégia milionária. É dar ao colaborador a importância que ele tem.

A solução, então, é corrigir a rota rumo à produtividade e considerar que os passos a serem dados devem permear todas as áreas da empresa. A busca pela produtividade deve fazer parte da cultura da companhia, deve ser um conceito fluido, possível de ser identificado em cada área, liderança e colaborador, sendo um trabalho multifatorial a ser desenvolvido em todas as frentes: as empresas devem se apoiar na tecnologia disponível para olhar além dos currículos e capacidades técnicas, que seja sustentável e de longo prazo, sensível o suficiente para apontar, com acuracidade, o momento daquele colaborador.

Lideranças e RH também precisam ter pleno conhecimento das soft skills necessárias para aumento da produtividade, além de “mudar a chave” dos antigos “missão e valores da empresa” para o novo “propósito”. Empresas produtivas trabalham com propósito, alinhando-o aos dos colaboradores, tanto pessoais como profissionais, engajando toda a equipe.

Para que a produtividade cresça, você precisa abrir a cabeça. Pode até ser difícil no começo, mas os resultados vão valer a pena. E lembre-se: essa quebra de paradigmas já deveria ter acontecido ontem, mas ainda dá tempo: é hora de olhar para seu ativo humano com a importância que ele merece – hoje e para o futuro.

 

 

Rodrigo Pimentel é CEO da Affero Lab - rodrigo.p@afferolab.com.br