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Historicamente a experiência de emprestar dinheiro no Brasil sempre foi desagradável. Entre a porta giratória e a conversa com o gerente, havia burocracia, falta de transparência e o melhor negócio quase sempre ficava com o banco.

Some a isso um dos maiores spreads bancários do mundo, pouquíssima concorrência e juros altos. O cenário para uma natural rejeição à tomada de crédito foi criado.

As mudanças que a internet trouxe para o varejo finalmente chegaram ao mercado financeiro, junto com o termo fintech (finanças e tecnologia). E o mercado de empréstimos foi um dos mais afetados pelas novidades.

Nos últimos três anos, diversas fintechs de crédito surgiram atendendo a todos os públicos: empréstimo pessoal, com garantia, consignado, para negativados, PJ, entre outros. Só na Associação Brasileira de Crédito Digital (ABCD), saltamos de cinco fundadores em 2016 para 22 membros no meio de 2018.

Isso trouxe concorrência e melhorou a oferta ao consumidor. Se antes o cliente estava na mão de seu banco e de financeiras que cobram juros altos, agora existem diversas fintechs que oferecem melhor experiência com preços menores.

Veja um exemplo de como o crédito certo é um ótimo negócio: segundo dados do Banco Central, o cheque especial é a realidade de 24 milhões de brasileiros todo mês. Uma oferta de crédito farta e cara, com juros que chegam a 538,36% ao ano. Uma combinação de taxas altas com facilidade de acesso.

Isso criou uma legião de endividados, que vêem boa parte de sua renda sendo sugada pelo cheque especial e pelo rotativo do cartão de crédito que pode chegar a 670,91% ao ano.

Neste ponto voltamos às fintechs. Com uma estrutura enxuta, tecnologia, boa usabilidade e análise assertiva de crédito, conseguimos ofertar empréstimos com taxas muito mais baratas que os bancos. Para comparar, a taxa média da Lendico em agosto foi de 53,8% ao ano para o empréstimo pessoal.

Para quem tem uma dívida, esse é a diferença entre sair do sufoco ou ficar na bola de neve. E não é só o endividado que pode recorrer ao empréstimo. Se bem planejado, ele pode ser uma ferramenta útil para realizar um sonho ou abrir o próprio negócio. Tudo depende de pesquisar e achar o crédito certo.

O cenário futuro é promissor. Este ano o Banco Central regulamentou as fintechs de crédito e o setor ganhou mais segurança para investir. Com isso, novas opções devem surgir à concorrência aumentar e, definitivamente, consolidar a experiência de empréstimo como algo saudável financeiramente se feito da maneira certa. O consumidor só tem a ganhar.

Para quem procura um empréstimo, em primeiro lugar, não deve buscar crédito apenas na instituição bancária na qual tem conta. Procure as fintechs e compare. Olhe sempre para o Custo Efetivo Total (CET) do empréstimo que está sendo oferecido. Ele representa o custo real que aquele empréstimo terá para você, com todas as taxas inclusas.

E não se esqueça de comparar o Custo Efetivo Total de cada instituição bancária, considerando as mesmas condições de pagamento e de limite de crédito.

Considere sempre sua saúde financeira. Não tome um empréstimo por impulso. Avalie se ele é realmente necessário e se você tem condições de pagá-lo.

Marcelo Ciampolini é CEO da Lendico 

marcelo.ciampolini@lendico.com.br