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Os CEOs desempenham papel crucial para o sucesso das mudanças que se processam nas empresas. Esta é uma afirmação que se torna mais forte a cada ano por meio de evidências coletadas em estudos conduzidos na academia e por consultorias. Mas não basta apenas ocupar a posição de máxima liderança. A visão, o senso de urgência e a capacidade de engajar e dirigir a mudança são apontados como os fatores chave do sucesso. Se isso é verdade, a relevância do CEO na gestão das mudanças organizacionais deve se aplicar também ao avanço da sustentabilidade e da responsabilidade social nas empresas.

Mas como será que os CEOs se relacionam com estas agendas? E como levam isso para as suas organizações? Pesquisa realizada pelo Pacto Global das Nações Unidas em parceria com a empresa de consultoria Accenture ouviu, em 2016, mais de 1000 CEOs, de 30 setores, em 150 países. O resultado surpreende ao mostrar que 87% deles consideram que os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) permitem repensar as abordagens para a criação de valor nos negócios, enquanto 78% já veem a oportunidade de contribuir para a agenda 2030 por meio do core business.

Esta é uma notícia a ser comemorada, pois segundo um outro estudo realizado pela consultoria McKinsey, os CEOs mais engajados com a sustentabilidade estão quase cinco vezes mais propensos a estabelecer metas públicas para o tema. Ao se comprometer publicamente, há um desdobramento importante da porta para dentro da empresa, o que inclui a definição de metas para os executivos, a criação de grupos de trabalho nos mais altos níveis de liderança e a disseminação para toda a organização dos benefícios financeiros da sustentabilidade. Este processo é chave para uma empresa incorporar a sustentabilidade no seu dia a dia.

Além das companhias, a academia tem se preocupado com este tema. Pesquisa de mestrado defendida em abril deste ano na Escola de Administração de Empresas da FGV, ouviu nove presidentes de empresas com atuação no Brasil e que são amplamente reconhecidos por seu protagonismo no campo da sustentabilidade. Um dos objetivos da autora era justamente identificar como se deu o engajamento destas lideranças com a temática. O trabalho mostra que, neste grupo, o aprendizado ocorreu na prática, temperado com uma alta dose de protagonismo e tomada de risco. A razão é simples: no período em que desenvolveram sua formação acadêmica e profissional o conceito e conhecimento sobre sustentabilidade ainda não eram tão difundidos. Diversos dos entrevistados relatam que acontecimentos pessoais também foram decisivos para impulsionar a tomada de consciência sobre o tema.

Um dos resultados mais importantes do estudo, porém, parece ser o fato de que para estes CEOs o ideal não é que suas trajetórias sejam tomadas como receita de sucesso. Todos reforçam a importância de a sustentabilidade fazer parte da formação de executivos, desde a graduação, passando pelos cursos de MBA e incorporada nas ações de desenvolvimento realizadas dentro das companhias. Quando assegurarmos que todos os executivos entendam sobre sustentabilidade e percebam como ela se relaciona com os negócios não teremos dúvida de que isso estará na agenda de todos os CEOs. E não só na deles, mas de todas as lideranças. E não há dúvida de que quando as empresas incorporam a agenda da sustentabilidade no seu negócio todos ganham.

Rafael Gioielli é gerente geral do Instituto Votorantim

rafael.gioielli@institutovotorantim.org.br