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O Brasil vive um momento sem comparação e é de senso comum que há uma necessidade urgente de transformação e de quebra de paradigmas para que possamos voltar a pensar em desenvolvimento.

A crise econômica tem freado os investimentos na construção civil, atividade impulsionadora de emprego e renda no país, sem alteração na balança comercial, uma vez que os insumos usados são nacionais. Mas o problema é maior que isso. A falta de investimentos em infraestrutura e saneamento básico, itens fundamentais para garantir a saúde pública e do desenvolvimento sustentável, é anterior à crise.

Mas o problema é maior que isso. A falta de investimentos em infraestrutura e saneamento básico, itens fundamentais para garantir a saúde pública e do desenvolvimento sustentável, é anterior à crise.

Nesse ponto, o Brasil vive um contrassenso. Ao mesmo tempo em que desponta entre os quatro primeiros do mundo que mais investem em construções sustentáveis, sejam elas de alto padrão ou não, ainda padece de assistência em questões tão básicas quanto a do tratamento de água e saneamento – pontos essenciais que estão estreitamente correlacionados à saúde pública.

A construção verde já faz parte de um novo olhar sobre o planejamento urbano e vem compor um panorama de inovação, com tecnologia, funcionalidade e bem estar para a população. Na última década, por exemplo, formou-se uma comunidade em torno desse modelo imobiliário, composta de projetistas, arquitetos, engenheiros, construtores e de uma cadeia de suprimento que tem se pautado na inovação, pesquisa e desenvolvimento para oferecer soluções cada vez mais adequadas às chamadas construções sustentáveis.

Ou seja, isso significa que o país já conta com profissionais experientes e capacitados, além de uma base tecnológica que pode ser transferida para que o desenvolvimento seja também nesses pontos estruturantes e, dessa forma, possa ser considerado efetivamente sustentável.

Hoje, de forma isolada, as construções verdes já se apresentam como o melhor modelo de negócio para o setor imobiliário. Elas promovem a redução do uso de recursos naturais e dos impactos ambientais - uma média de diminuição de 40% no consumo de água e 25% no consumo de energia. Aumentam também o bem-estar dos ocupantes (o ambiente saudável criado estabelecido em uma construção verde promove, a cada US$ 1,00 que os edifícios verdes reduzem de energia, que outros US$ 0,39 sejam reduzidos em saúde pública.

E, ainda, valorizam economicamente o imóvel (taxa de vacância de 28,6% contra 34,1% nas edificações não certificadas como sustentáveis), e valorização do aluguel de 4% a 8%. Imaginem os benefícios dessas mesmas edificações em um ambiente saneado e adequado.

Buscamos um país com a mesma ambição que a comunidade das construções sustentáveis tem, de modificar conceitos e paradigmas, de não aceitar mais o desperdício de recursos, de valorizar hoje o que trará saúde e bem estar amanhã, de dar o exemplo e mobilizar outros setores, além da construção, para que as cidades cresçam e para que o país se desenvolva.

É preciso pensar estrategicamente. Nesse momento de eleições quase gerais, precisamos refletir sobre o desenvolvimento efetivo, definir prazer e estabelecer metas, pois não adianta contarmos com ilhas de prosperidade cercadas de mares de retrocesso.

Felipe Faria é diretor executivo do Green Building Council Brasil 

ffaria@gbcbrasil.org.br