Publicado em

O movimento a favor da disseminação da geração descentralizada de energia elétrica ganhou, ainda mais, expressão após o Acordo de Paris de 2015. Com o Acordo de Paris, muitos governos modificaram as suas políticas energéticas, a fim de acelerar o desenvolvimento e a utilização de tecnologias descentralizadas.

A expansão da geração descentralizada vem ocorrendo, sobretudo, por meio do uso de energia renovável, dentre elas a solar, hídrica, eólica e da biomassa. Em razão da inexistência de baterias de elevadíssima capacidade de armazenamento de energia, a otimização dos sistemas de transmissão e distribuição passa, inexoravelmente, pela digitalização das redes.

A digitalização calibrará os diferenciais entre oferta e demanda de eletricidade, contornando com rapidez possíveis descompassos oriundos da falta de flexibilidade do sistema.

Os esforços de expansão da rede obedecem às características de livre mercado. Equipamentos da tecnologia de energia solar fotovoltaica são, ainda, muito caros para a realidade nacional.

A Caixa Econômica Federal (CEF) celebra parcerias com distribuidoras de gás natural locais para a compra do “kit” de GNV. O modelo poderia ser aplicado à geração solar fotovoltaica.

À noite, nada é produzido com painéis fotovoltaicos, que geram eletricidade a partir da luz do sol.

O valor da placa solar está baixando com o tempo. Contudo no Brasil não temos, ainda, baterias domésticas sofisticadas. Para garantir a autonomia energética seria necessário ter uma segunda fonte geradora como uma turbina eólica. Isto porque em dias nublados, com menor irradiação solar, a produção pode ser insuficiente mesmo com o armazenamento em baterias.

No caso do gás já existem, hoje, no mercado biodigestores domésticos, que transformam resíduos orgânicos em gás para a cozinha. Os valores dos equipamentos são razoáveis, em torno de R$ 1.500/R$ 3.000. O número de painéis solares necessários é calculado a partir do histórico do consumo da residência dos últimos 12 meses, conforme a conta de luz.

O valor da instalação para uma casa com quatro pessoas fica em torno de R$ 15 a 20 mil.

Entre 3 e 7 anos é o tempo de retorno do investimento.

De preferência, o telhado deve estar voltado à face norte, ter área suficiente para a instalação e sem sombreamento. Na hipótese de produção de energia excedente, é possível acumular créditos, com duração de até 60 meses, ou usá-los para abater na conta de consumo de um imóvel de titularidade da mesma pessoa física ou jurídica.

A eletricidade continua cara no Brasil e os apagões são constantes, quando se compara com outros países desenvolvidos. Tributos excessivos e elevados estabelecem no Brasil uma das mais elevadas tarifas de energia elétrica do universo. No entanto, o uso da eletricidade continua acelerado, com recordes sucessivos, no início de 2019.

Perto de 90.000 MW a demanda, sendo que a máxima anterior foi observada em 2014.

São atribuídos os recordes ao intenso uso dos aparelhos de ar condicionado no auge do verão.

Conforme a Folha de São Paulo, no ano transcorrido de 2018, o intercâmbio de energia com outras nações foi negativo para nós em 1.136 GWk, em consonância com os informes da ONS – Operador Nacional do Sistema.

 

 

Luiz Gonzaga Bertelli  é diretor da Fiesp-Ciesp e membro do conselho superior da Acsp - lgbertelli@uol.com.br