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Os efeitos da recessão e das boas safras agrícolas ajudaram a reduzir a inflação. Controle dos gastos públicos e aumento do consumo deverão reduzir a dívida pública e melhorar a capacidade do País voltar a crescer em ritmo mais forte. Há boas perspectiva mesmo em ano de eleição, impulsionado pelo consumo das famílias e avanço do crédito.

No pós-crise, vender ativos passou a ser opção às empresas que pretendem desfazê-los. Em algumas situações, a motivação principal é gerar caixa para reduzir a dívida e melhorar o capital de giro. Em outras, é opção estratégica nos negócios e fatores de mercado.

Essa tendência não é só no Brasil. O avanço da tecnologia e mudanças regulatórias levam um número maior de grupos a vender parte dos seus ativos, e, até mesmo mudar de ramo de atividade. A mudança nos hábitos de consumo de clientes, em consequência do avanço da tecnologia, fez surgir novos negócios. A redução do endividamento, para equilibrar a situação financeira, contribui para que algumas empresas coloquem seus ativos à venda, por uma questão de sobrevivência. Caso da Petrobrás que já vendeu parte do Polo Petroquímico de Pernambuco (Companhia Petroquímica de Pernambuco - Petroquímica Suape e Companhia Integrada Têxtil de Pernambuco – Citepe, ambas adquiridas pela mexicana Petrotemex – subsidiária do grupo mexicano Alpek), cuja alienação foi autorizada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE), com transferências de controles societários previstas para este mês.

De acordo com demonstrações contábeis de 31 de dezembro de 2017, as referidas companhias apresentaram prejuízos naqueles exercícios, passivos bancários altos e patrimônios líquidos negativos ou descobertos, razão principal dos auditores independentes apresentarem em relatórios a incerteza relevante da continuidade operacional daquelas sociedades. Elas não vêm gerando fluxos de caixa positivo. Por isso, a Petrobrás teve prejuízos ao vender essas participações societárias, pois os valores apurados foram inferiores aos apresentados nos registros contábeis. Agora a Petrobrás pretende desfazer da Refinaria Abreu e Lima (RNEST), também em Suape (PE), considerada a mais cara do mundo, após mais de USS 20 bilhões de investimentos, resultado de superfaturamento bilionário.

O modelo de venda da RNEST foi aprovado pelo Conselho de Administração da Petrobrás. A ideia é que esse comprador seja acionista majoritário , detentor de 60% da refinaria, junto com ativos logísticos do terminal de Suape. Também, outros grupos, como Odebrecht e J&F Investimentos, investigados pela justiça, estão vendendo alguns ativos, para reparar danos causados. Recuperação lenta da economia e queda da Selic é outro fator que estimula negócios, já que melhora as condições de financiamento das aquisições. Com isso, compradores ficam mais corajosos e os vendedores mais propensos a negociar.

No atual cenário econômico, a motivação para vender ativos está mais relacionada às questões estratégicas do que às necessidades da crise. Outro sinal positivo é o aquecimento do mercado de capitais, com várias empresas planejando utilizar a bolsa de valores como fonte de entrada de recursos para investir. Com a melhora da economia e da situação das empresas, a vendas de ativos deve estar mais voltada às oportunidades de negócios, com possibilidade de obtenção de um preço mais atrativo, do que só pela necessidade de alienar ativos para pagar dívidas.

Cláudio Sá Leitão é sócio da Sá Leitão Auditores e Consultores 

claudio@saleitao.com.br