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Há cerca de três anos, fui convidado para ministrar uma palestra sobre “Liderança” no 7o Congresso Internacional sobre Saúde Mental no Trabalho, em Goiânia – GO. Achei o convite tão interessante e inusitado, visto que não costumo frequentar eventos de saúde, que aceitei e fui com muita alegria e curiosidade. Chegando lá, fiz questão de ir direto assistir às palestras e aprender um pouco antes de ir ao palco. Para ser mais preciso, assisti a duas palestras: a primeira foi de uma psicóloga e a seguinte, de um advogado. Em ambas, fiquei chocado com o que ouvi. A psicóloga apresentou estatísticas de doenças ligadas ao trabalho. Depressão, síndrome do pânico, síndrome de burnout, entre outras. Já o advogado nos apresentou números exorbitantes de processos judiciais ligados a assédio moral, sexual, e outros “als”. Confesso, repito, que fiquei chocado. Lembro-me de dizer em silêncio: “Meu Deus, as empresas estão virando fábricas de loucos”.

Já escrevi aqui um texto sobre três ex-alunos que, coincidentemente na mesma semana, pediram demissão de suas empresas (ou melhor, dos seus chefes) e me contaram que fizeram isso sem ter outro emprego em vista, mas só para se livrarem daquele ambiente e não ficarem loucos. Você pode imaginar uma decisão dessas? Uma pessoa assumir o status de desempregada por decisão própria simplesmente porque está enlouquecendo no trabalho? Chega a ser surreal.

É muito triste, e ao mesmo tempo curioso, que um local onde as pessoas deveriam motivadas, leves e felizes, pois ali exercitam a sua profissão a ganham o seu dinheiro, tenha se transformado em um ambiente tão insalubre, mentalmente falando. É lógico que isso não é a regra. Conheço inúmeras empresas, principalmente as que já nasceram na chamada “nova economia”, que são ambientes leves, criativos, motivadores, com elevado grau de diversidade e onde que chega não quer sair por nada. Mas, infelizmente, ainda há empresas (pelos números, talvez a maioria) que colocaram em posições de liderança pessoas que não deveriam cuidar nem de uma criação de minhocas. Pessoas que, por falta de competências de liderança e, principalmente, competências comportamentais, transformam a vida de todos ali num inferno. E o pior é que, na maioria dos casos, isso não é visto pela alta liderança e perdura por anos e anos. O resultado? Ou melhor, os resultados? São dois: primeiro, os melhores profissionais vão embora. Segundo, quem precisa ficar por falta de uma opção melhor, fica louco. Pode?

Nas minhas aulas de planejamento de carreira, ouço inúmeros relatos a respeito. E confirmam todas as pesquisas recentes que mostram que as pessoas pedem demissão de seus chefes, e não de suas empresas. O meu conselho é sempre o mesmo. “Tem vida fora dali. Vá buscar um lugar saudável e onde as suas competências possam fazer a diferença e serem valorizadas”.

Portanto, se você está passando por uma situação dessas ou conhece alguém que está, saiba que não estás só. O caminho, repito, é sair dessa gaiola das loucas o quanto antes e buscar um lugar onde o trabalho é uma fonte de prazer a alegria, não de doença. Até o próximo