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E vamos à última, mas não menos importante, competência apontada como uma das mais valiosas para 2022 - Análise e avaliação de sistemas. Com ela, encerro esta série que tratou do último relatório do Fórum Econômico Mundial, intitulado “O futuro do trabalho”.

Como sempre gosto de fazer, prefiro ser simples e direto, analisando cada termo dessa competência, começando de trás para frente. O que é um “sistema”? Ora, aqui podemos ter várias interpretações e todas elas fazerem sentido. Um sistema pode ser um processo de produção, uma equipe de trabalho, um projeto de desenvolvimento de um produto, um acordo de parceria entre duas organizações ou, no limite, uma empresa como um todo. Portanto entendamos por sistema qualquer conjunto de variáveis que se unem para um objetivo comum.

Seguindo para o segundo termo, “avaliar” significa, a partir de algum critério pré-estabelecido, dizer se este sistema funciona bem ou mal. Para cada sistema temos que ter algum tipo de critério de avaliação. Por exemplo, para avaliarmos e desempenho de uma equipe (que é um sistema de pessoas trabalhando juntas), podemos estabelecer alguns critérios: produtividade, nível de potencial criativo, novas ideias geradas, índice de conflitos, faltas ao trabalho, pedidos de demissão, volume de negócios gerado, entre outros. A partir do momento que temos um ou mais critérios para avaliar um sistema, fica mais fácil dar algum tipo de opinião concreta e inteligente sobre o referido sistema. Um dos erros comuns que demonstram a ausência desta competência é alguém emitir uma opinião sobre algum sistema sem usar os critérios corretos, como por exemplo, expor opiniões vagas. “Eu acho que esta equipe não é boa”. Ok, mas com base em quê? Que critérios você está utilizando para tal afirmação? Isso é muito comum, não só nas empresas mas na vida real. Muitas vezes vemos pessoas fazendo avaliações de todas as ordens (sobre marcas, propagandas de TV, decisões do governo ou de alguma empresa) usando meros “achismos” e sem consciência sobre os critérios de avaliação.

Por fim temos o termo “análise”. Avaliar é emitir um juízo com base em critérios. Já analisar é entender o porquê de uma determinada situação e identificar possíveis rotas de solução ou melhoria. Normalmente, esta habilidade depende muito de repertório e isenção emocional. Repertório ajuda a identificar novos caminhos, novas soluções. Quem tem uma boa cultura geral tem mais facilidade de identificar soluções não convencionais. Já a isenção emocional nos ajuda a não cair na armadilha da empolgação ou da análise rasa. Quanto mais mantemos uma distância emocional de um problema, melhor é a nossa capacidade de solucioná-lo.

Veja que esta competência é relativamente complexa, mas simples de desenvolver se colocarmos a razão à frente da emoção.

Aqui encerro esta série, lembrando que o relatório completo, para quem quiser explorar este belo estudo, está disponível para download no meu blog (www.marceloveras.com/downloads). É sempre bom acompanhar e saber o que o mundo está pensando sobre o futuro do trabalho e das carreiras. Até o próximo!