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Sempre deixei claro a minha paixão por este momento histórico. A transferência de poder que a conectividade produziu criou uma legião de protagonistas. Muitos querem deixar a sua marca no mundo. Os exemplos de pessoas que, em qualquer lugar do país ou do mundo, criam coisas fantásticas e que ganham visibilidade mundial só cresce. E como somos muito influenciáveis, quanto mais gente consegue se destacar, mais gente quer encontrar o seu diamante. As Startups são a materialização desse fenômeno. Em incontáveis garagens pelo país afora há um grupo de pessoas (ou um lobo solitário) querendo inventar o próximo Facebook, Uber, Waze, entre outros. Muitos não vão conseguir, mas a estatística não mente – “quanto mais pessoas tentarem, maior a probabilidade de alguém conseguir”.

Nesta semana, estava numa roda de conversa em um evento e uma das pessoas manifestou a sua insatisfação com um fenômeno cotidiano – a quantidade de jovens que auto intitulam CEO ou Founder (fundador, em inglês). Ele dizia que isso estava errado e que “hoje qualquer um se acha no direito de se autoproclamar CEO, Presidente, Founder, etc. Só faltou ele defender a criação de uma lei que proibisse o uso indiscriminado desses termos ou que alguém dissesse, com algum critério, quem pode e quem não pode se chamar de CEO. Aliás, fiquei até me perguntando: Quem teria a autoridade moral para dizer quem pode ou não assinar como CEO?

Ouvi atentamente e, na hora que tive a oportunidade de falar, discordei em gênero, número e grau. Disse que, ao contrário dele, acho isso tudo lindo e maravilhoso. Aliás, adoro encontrar ex-alunos que estejam em cargos relevantes ou que estejam tentando construir algum negócio próprio e se chamando de CEO. Não me sinto nem um pouco mal com isso. Muito pelo contrário, vejo nesse fenômeno aquilo que é uma das coisas mais fantásticas deste momento histórico – muitas pessoas assumindo uma postura de protagonista e buscando criar o próprio legado. Esse, para mim, é um direito intocável, que deve ser respeitado e nunca criticado. Não acho que um jovem com essa postura é melhor nem pior do que um CEO de uma grande corporação ou do que alguém que já tenha, assim como eu, algum cabelo branco. Isso faz parte do passado. Essa de achar que o mundo do trabalho deve ser separado por castas é uma visão equivocada, mesquinha e pobre, típica de quem é inseguro e não se garante.

Pois bem, tenho dito e deixo aqui a minha visão. Se você está criando uma empresa e quer mudar o mundo, por menor e mais embrionária que ela seja, você tem o direito de assinar o seu cartão pessoal ou a sua página do LinkedIn como CEO, Founder, Presidente ou o que quiser. Não dê ouvidos a quem achar que isso é petulância ou sem sentido. Aliás, pensar grande começa por aí. Os grandes feitos recentes foram produzidos por quem pensou grande e desafiou os estereótipos existentes. Até o próximo!