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Nos dias atuais, diante da energia cada vez mais cara, utilizá-la sem desperdício constitui um desafio a ser considerado. Ao economizar energia, podemos adiar a imprescindibilidade de construção de novas e dispendiosas geradoras hidroelétricas ou térmicas, movidas a gás natural importado ou derivados do petróleo. Para o Instituto Escolhas, o custo estimado da energia da usina nuclear 3 seria o mais alto entre as demais fontes disponíveis.

Há anos, entre nós, responsáveis pela política energética nacional têm sido conclamados a conservar energia e reduzir o excesso e desperdícios na geração e consumo.

As grandes nações constituem, hoje, os maiores consumidores de energia em decorrência do melhor padrão de vida.

Não obstante, isto conduz à maior geração de resíduos e poluentes. A poluição do ar é intensa nas grandes cidades, notadamente naquelas localizadas nos países em desenvolvimento. Nas edificações brasileiras, o Sinduscon salienta que o consumo de energia já representa 51% do total do Brasil, segundo o Balanço Energético Nacional. Para a construção de edifícios para ser eficiente, isso poderá levar à redução de 30% a 50% de seu consumo de energia.

A iluminação é responsável por cerca de 25% do consumo de eletricidade no setor residencial, 45% no setor comercial e serviços públicos e 5% de toda a eletricidade empregada no Brasil.

Alguns trabalhos acadêmicos demonstram que o excesso de iluminação é usual no País.

Há efetivas condições de diminuição do emprego da energia elétrica com o uso de lâmpadas e reatores mais eficientes. No verão, o ar condicionado é o maior responsável individual pela ocorrência de pontas de demanda de energia elétrica em instalações comerciais. A utilização de condicionadores de ar avança com as altas temperaturas e ampliação de “shoppings” e aumento do mercado de eventos e convenções.

O aparelho de ar condicionado deixou de ser um objeto de luxo na vida do cidadão brasileiro, a fim de se tornar imprescindível, à semelhança do chuveiro, geladeira, TV e fogão.

Consoante a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) perto de 10% foi o crescimento ao ano da aquisição de novos aparelhos de ar condicionado nas moradias dos brasileiros, no período de 2005-2017. Conforme a mesma fonte o número de aparelhos de ar nas moradias dos brasileiros é de apenas 0,4 por domicílio, existindo, em decorrência, grande potencial de demanda.

Desta forma, assume posição de destaque, no Brasil, o emprego racional e eficiente da energia, em face da sua onipresença tanto na economia, como na sociedade e conservação da natureza.

O emprego da energia tem crescido mais celeremente do que a população e a produção de serviços e bens. No Brasil, o uso da energia continuará evoluindo no ano fluente. O Operador registrou dois recordes sucessivos: no dia 15.12.2018 e em 16.12.2018, com a demanda de cerca de 88 mil MW.

Procedimentos voltados ao efetivo aumento da eficiência energética no Brasil dependem de investimentos públicos e privados de diversos tipos, a serem programados no novo governo. A conta do consumidor pode ser mais suave se os aparelhos adquiridos cumprirem as exigências técnicas de eficiência energética.

Equipamentos menos eficientes podem deixar de serem fabricados, incentivando a indústria à produção de produtos menos impactantes na demanda de energia no País.

 

 

Luiz Gonzaga Bertelli  é diretor e conselheiro da Fiesp-Ciesp - lgbertelli@uol.com.br