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Aumentam as expectativas de que haverá uma alteração para melhor na economia do País, saindo um pouco do voo de galinha alcançado no ano passado depois do fim da recessão.  

O otimismo é o principal combustível dos investimentos e está impulsionado porque, desde a posse do presidente Jair Bolsonaro, no dia 1º de janeiro, o Real foi a moeda que obteve maior valorização no mundo em relação ao dólar. Já o Bovespa tem o segundo melhor desempenho mundial, alcançando recordes históricos.

Isso faz diminuir as esperanças da oposição de que a voz rouca das ruas irá provocar uma onda de protestos contra medidas apontadas como retrocesso nas primeiras semanas da posse de um militar no comando do País após o fim da ditadura em 1985.

Até há motivos para protestar, a exemplo do estudo para extinguir a Justiça do Trabalho, as tentativas de exclusão dos militares em relação à reforma previdenciária, menor correção do salário-mínimo e os desencontros do presidente com a equipe econômica. Mas, se a economia começar a dar sinais de recuperação, os protestos serão menores.

O que acontece no Brasil não é uma ilha perdida no oceano. Tem a ver com os embaraços do presidente norte-americano Donald Trump, por causa da guerra comercial com a China e da crise com o Congresso, provocada pela proposta de construção do muro com a fronteira do México, o que causou a paralisação do governo por mais de 20 dias.

Além disso, há sinais de desaceleração na economia dos EUA. É ponto a favor do Brasil no mercado de ações. Também contribuem ao bom astral do País alterações no Conselho de Administração da Petrobras para afinar o discurso com o ministro da Economia. Paulo Guedes, a decisão do presidente do Supremo Tribunal Federal,ministro Dias Toffoli, de autorizar a venda de blocos da Petrobras sem licitação,  além de venda de 100 estatais, inclusive a Eletrobras. A isso soma-se a nova posição de Bolsonaro a favor da transação entre a Boeing e a Embraer.

Previdência: inundação de investimentos

A reforma da Previdência é uma condição imposta pelo mercado para que investimentos inundem o País, aponta o cientista político David Fleischer, da Universidade de Brasília.

Daí porque o presidente Bolsonaro mexeu o jogo político e indicou para ser líder do governo na Câmara o militar e assessor legislativo da Casa desde 2015, o deputado estreante Major Vitor Hugo (GO). Enfim, Bolsonaro preferiu alguém que entenda bem as regras da Casa para conseguir 308 votos necessários à aprovação da reforma da Previdência.

Anima também o mercado a perspectiva de que a proposta a ser enviada ao Congresso será mais ousada do que pretendia o próprio Bolsonaro. O ministro Paulo Guedes tem enfrentado a queda de braço com os políticos, com o argumento de que, se não houver uma mexida mais forte, a Previdência quebra e dobra em poucos anos o saldo negativo de R$ 300 bilhões.

Cesare Battisti: sem escala no Brasil

A pedra no sapato do governo Bolsonaro vai ser a segurança pública, apesar de haver se cercado de agentes da área de diferentes instituições. Daí se justifica a estratégia dos governos da Itália e da Bolívia de deportar o ativista Cesare Battisti, sem escala no Brasil.

Afinal, a Polícia Federal deixou o ativista escapar do Brasil, onde são lentas e por vezes surpreendentes as decisões envolvendo réus presos. E, para completar, a onda de violência do crime organizado no Ceará parece não ter fim.

Descompassos

Nem tudo brilha na Esplanada, mesmo sem uma nova frase lapidar da ministra dos Direitos Humanos, Damares Alves. É que o ministro da Justiça, Sérgio Moro, determinou a exoneração da diretora de Proteção Territorial da Funai, Azelene Inacio. No entanto, até o momento, a Casa Civil não publicou o afastamento da servidora, o que deveria ter ocorrido na semana passada.

O ministro pediu a exoneração de Azelene por conta de uma investigação do Ministério Público, que aponta conflito de interesses na atuação da diretora. O pedido partiu de Moro por conta de critérios jurídicos, mesmo a Funai estando sob responsabilidade do Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos, chefiado por Damares Alves.

E Azelene continua no cargo. Um apego que não adiantou nada para o ex-presidente da Agência de Promoção de Exportações e Atrações de Investimentos (Apex-Brasil), Alex Carreiro, que demorou a sair do cargo.

Militar x ruralistas

Um filtro nas intenções dos ruralistas de tomar espaços nas áreas indígenas foi colocado pelo governo.  O presidente da Funai (Fundação Nacional do Índio), Wallace Bastos, pediu exoneração nesta segunda-feira (14).

O cargo deverá ser ocupado pelo general da reserva do Exército Franklimberg Ribeiro, de origem indígena, que presidiu a Funai de 2017 a 2018, no governo de Michel Temer. De lá foi retirado por pressão da bancada ruralista no Congresso. A nomeação tem o apoio da ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves.

A Funai foi esvaziada no governo de Bolsonaro de uma de suas principais funções, a demarcação de terras indígenas, transferida para o Ministério da Agricultura, comandado pela líder ruralista Tereza Cristina (DEM-MS).

Protesto

Governo é governo e tem que se acostumar aos protestos. Magistrados, procuradores e advogados trabalhistas promovem, no próximo dia 5 de fevereiro, em Brasília (DF), em local a ser confirmado, Ato Nacional em Defesa da Justiça do Trabalho.

A mobilização é uma realização da Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Anamatra), em parceria com o Colégio de Presidentes e Corregedores dos Tribunais Regionais do Trabalho (Coleprecor), a Associação Nacional dos Procuradores do Trabalho (ANPT) e a Associação Brasileira de Advogados Trabalhistas (ABRAT).