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Começa a estremecer corações e mentes em vários segmentos do País a ideia de que o próximo presidente da República poderá ser um político de extrema direita, defensor de torturadores da ditadura militar e egresso da caserna que em 1985 foi convidada a sair do poder pela democracia.

Levantamento do site Congresso em Foco aponta que pelo menos 65 deputados admitem que estarão, na disputa presidencial, com o deputado e capitão Jair Bolsonaro (PSL-RJ). O número supera os 61 integrantes da maior bancada partidária da Câmara, que é a do PT. O próprio pré-candidato e seus seguidores difundem um cálculo bem superior, de 110 deputados, informa o site.

O levantamento mostra uma reviravolta na simpatia conquistada por Bolsonaro com seus duros discursos contra os defensores de direitos humanos que já motivaram denúncias contra ele no Supremo Tribunal Federal.

Em fevereiro de 2017, o candidato de direita conseguiu apenas minguados quatro votos ao disputar a presidência da Câmara contra 293 alcançados pelo deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), que já abandonou a ideia de disputar a Presidência.

A ampliação do apoio parlamentar de Bolsonaro deve-se ao fato de que ele lidera todas as pesquisas presidenciais nos cenários em que o ex-presidente Lula (PT), preso há três meses em Curitiba (PR),  fica fora da lista de concorrentes.

Sucesso na elite industrial

Em encontro de presidenciáveis com uma plateia composta pela elite industrial do País, o pré-candidato do PSL  foi aplaudido ao menos seis vezes.Isso ocorreu quando soltou frases de efeitos contra a "ideologia de gênero" e "politicamente correto", inclusive defendeu piadas contra minorias sociais.

Ganhou aplausos mesmo sem ter apresentado propostas para o setor nem para a reforma da Previdência. Bolsonaro evitou o tempo inteiro em entrar em temas econômicos por desconhecer o assunto.

Ministério militar

Um dos momentos de aplausos ocorreu quando Bolsonaro reforçou o seu discurso de que parte de seu primeiro escalão será ocupado por militares. “Vou botar generais nos ministérios, sim. Qual o problema? Os anteriores botavam terroristas e corruptos  e ninguém falava nada”. 

Ninguém falava porque era preso e torturado, esqueceu de lembrar o presidenciável.

Apoio a torturador

O perfil de extrema direita de Bolsonaro justifica a imagem do primeiro militar a ser reconhecido pela Justiça como torturador, o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra (1932-2015).  Morto em outubro de 2015, a imagem do coronel aparece na estampa das camisetas vendidas por lojas virtuais que apoiam o pré-candidato. Aí aparecem as palavras: “Ustra Vive”.

Em abril de 2016, Bolsonaro fez homenagem póstuma ao coronel ao justificar seu voto a favor do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, que teria pavor de Ustra quando era ligada a grupo de guerrilha no período militar.

Estatais nos tempos de Temer

O presidente Michel Temer foi o presidente que menos investiu nos últimos 19 anos nas estatais brasileiras, segundo dados do 6º Boletim das Estatais Federais do Ministério do Planejamento.

A comparação dos primeiros trimestres dos dois últimos anos do governo da ex-presidenta Dilma Rousseff e o mesmo período de 2017 e 2018, depois do impeachment, mostram que Temer investiu quase a metade.

No governo Temer, a Petrobras recebeu o menor investimento nos últimos 19 anos: R$ 8,6 bilhões no primeiro trimestre deste ano. Já Eletrobras recebeu 5,2% do total dos investimentos - R$ 518 milhões – este ano.

Sem surpresas

Para Felipe Chaves, engenheiro de Furnas e diretor da Associação dos Empregados de Furnas (Asef), esses dados não são nenhuma surpresa tendo em vista que o atual governo tem trabalhado para que as estatais percam relevância e possam ter seus ativos vendidos e sejam privatizadas.

“Com as taxas de juros mais baixas, é um bom momento para voltar a investir na empresa. Mas sabemos que a ordem vem de cima, dos ministérios, que não permitem que a empresa volte a crescer. Bastaria ter uma boa gestão com alguém responsável, mas o governo prefere acabar com as estatais”, diz Felipe.

Para a coordenadora do Comitê Nacional em Defesa das Empresas Públicas,, Rita Serrano, só há uma solução à vista para reverter essa situação desastrosa.

“Somente com eleição presidencial teremos condições de reverter num curto prazo essa situação caótica e colocar o país novamente nos rumos do desenvolvimento“, acredita Rita.

Eletrobras pós-eleições

Deixar a privatização do Sistema Eletrobras para o próximo governo, já depois das eleições. Foi o que decidiu também o presidente da Câmara dos Deputados, depois  de ter sido aprovado o projeto que permite a venda de distribuidoras da Eletrobras no Norte e no Nordeste.

Bloqueio da ferrovia Carajás

A ferrovia Carajás, no sudeste do Pará, poderá ser novamente bloqueada, como já fizeram índios da etnia Gavião, aldeias Kripei e Krijoherekateje. Desta vez, o protesto tende a ser provocado por não índios, os moradores da região de influência da maior jazida de ferro no mundo explorada pela mineradora Vale.

“Se for necessário, podemos bloquear a ferrovia”, cogitou, em contato com a coluna, o prefeito Jeová Andrade (MDB), de Canaã dos Carajás, um dos municípios onde estão jazidas exploradas pela Vale. Ele prevê, primeiro, uma ampla mobilização para fazer o presidente Michel Temer rever decisão sobre novos investimentos da Vale fora do Pará..

Nesta semana, o governo federal informou ter condicionado a renovação por mais 30 anos da concessão da ferrovia Carajás, que leva o minério para o Porto de Itaqui, no Maranhão. Em troca, definiu que a mineradora invista cerca de R$ 4 bilhões na construção de ferrovias no Centro-Oeste e em São Paulo.Os paraenses querem a construção de nova rodovia ligando Carajás ao Porto de Vila do Conde, a 100 km de Belém. E prometem fazer se pintar para a guerra.