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Diante de uma sequência de "filmes de terror' sem precedentes para o governo, cresce entre os petistas e a ala do partido instalada no Palácio do Planalto a possibilidade de o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltar ao governo para ocupar uma pasta do governo Dilma Rousseff.



A ideia seria levá-lo para o Ministério da Defesa, no lugar de Jacques Wagner, que seria deslocado para a Defesa Civil, com a queda de Aloizio Mercadante. Na Defesa, Lula teria mais tempo para colaborar com o vice-presidente Michel Temer na coordenação política do governo. Isso sem o peso do posto oficial. Ou ainda para a pasta das Relações Exteriores na condição de ex-chefe de Estado. A tese não caiu no agrado de Temer.



Com essa manobra, Lula passaria a ser blindado quanto às investigações de primeira instância, inclusive as que acontecem em Curitiba, Paraná, por conta da Operação Lava Jato, que investiga esquema de corrupção na Petrobras.



"Resta saber se o Lula quer", afirmou à coluna o líder do governo na Câmara dos Deputados, José Guimarães (PT-CE), brincando com a tese de volta do ex-presidente ao governo. "Acho que os petistas querem mais isso do que o próprio Lula".



Wagner reforçou esse discurso, para quem que não está em curso uma troca no comando das pastas, em uma reforma ministerial para atenuar a crise.  "Só tem uma pessoa que pode fazer a reforma. Chama-se Dilma Rousseff e até hoje não ouvi dela essa disposição", afirmou.



A semana promete novas emoções fortes para o governo.



Líder quer Dilma em "caravana" pelo País



Em reunião de líderes partidários prevista para este domingo no Palácio do Planalto em Brasília, o líder do PT na Câmara, José Guimarães, vai defender que a presidente Dilma Rousseff viaje mais País afora, faça uma "caravana" nacional, a fim de intensificar contatos populares e diluir o ambiente de crise política. Essa será uma das sugestões a serem debatidas na reunião.



Essa é uma lógica defendida há muito tempo pelo ex-presidente Lula. Para ele, é necessário investir numa agenda positiva para combater a baixa popularidade. O encontro vai contar ainda com os líderes do governo no Congresso, senador José Pimentel (PT-CE) e do Senado, Delcídio Amaral (PT-MS). Participarão também ministros da articulação política.



O encontro deste domingo antecede as manifestações agendadas para o próximo dia 16, que servirá como "termômetro" dos ânimos populares em relação a gestão Dilma Rousseff. A presidente e correligionários estão acompanhando com o lupa tudo o que cerca esse evento.



Julgamento das contas



A previsão do Tribunal de Contas da União (TCU) para o julgamento das contas de 2014 da gestão Dilma é a segunda quinzena deste mês de agosto. Analistas consideram difícil prever o resultado.



O precedente histórico favorece Dilma Rousseff. Desde o governo Getúlio Vargas, em 1937, nunca houve rejeição das contas presidenciais.  Os pessimistas, no entanto, alertam para a ilegalidade e a polêmica que se gerou a respeito da gravidade do ponto de vista fiscal do atraso nos repasses aos bancos públicos de recursos para pagamento de benefícios sociais, as chamadas "pedaladas fiscais".



Senadora vai ao STF para Congresso votar contas de ex-presidentes



A presidente da Comissão Mista de Orçamento do Congresso, senadora Rose de Freitas (PMDB-ES), ingressou com ação que pede ao Supremo Tribunal Federal a anulação do ato do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que permitiu à Casa colocar em votação contas antigas referentes aos governos do ex-presidentes Itamar Franco, Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva, aprovadas na quinta-feira passada.



A inciativa demonstra o temor que paira no Palácio do Planalto e na base aliada em relação à futura decisão do TCU. Segundo a senadora, o objetivo é fazer com que as contas sejam analisadas, primeiro, na Comissão Mista de Orçamento e, posteriormente, no Congresso Nacional, ambas instâncias que reúnem tanto deputados quanto senadores. "É competência exclusiva do Congresso Nacional votar a conta dos presidentes anualmente, não é competência da Câmara e do Senado em separado", alega a senadora



TCU em clima de desconforto  



O governo quer também encostar na parede o Tribunal de Contas da União. Ministros do TCU estão incomodados com as atenções que a imprensa vem dando ao órgão e sobre a ameaça de descontinuidade do mandato do atual presidente do órgão, ministro Aroldo Cedraz. Ele tem sofrido denúncias de que seu filho, o advogado Tiago Cedraz, teria recebido propina para influenciar os julgamentos do tribunal. Pairam também suspeitas por outras razões sobre as condutas dos ministros Raimundo Carreiro e Walton Alencar.



Pelas regras atuais, todos as nove vagas do TCU são preenchidas por indicações políticas. No Congresso Nacional existe em análise 21 propostas de emendas à Constituição (PECs) com o objetivo de substituir as indicações políticas por concurso público ou limitar os poderes dos ministros em favor da área técnica do órgão. Na atual conjuntura, o governo não tem força para dar o troco, em caso de rejeição das contas.