Publicado em

O jogo mudou no mundo dos negócios. Faz tempo. E não vai ter prorrogação. Quem quiser continuar fora da era digital não irá permanecer em campo, porque vai perder de mais de 7 x 1. Se insistir na retranca, será simplesmente expulso pelo rolo compressor da concorrência com o apoio da torcida dos clientes.

A recomendação é do consultor de pequenas empresas Celso Valente, diretor executivo da startup DicasMEI, ao comentar o aniversário de dez anos de vigência da Lei Complementar 128, que criou, em dezembro de 2008, a figura jurídica do Microempreendedor Individual (MEI), hoje o maior segmento empresarial do País.

Valente aponta que esse alerta serve para qualquer empresário, mas especialmente para os 7,6 milhões de MEIs que se multiplicaram pelo País, com o aumento a cada ano de 1 milhão de novos profissionais que aderem a essa forma desburocratizada de empreender.

“Antes que seja tarde demais para impedir o fechamento das portas do próprio negócio, precisamos entender que a nova lógica empresarial exige um mergulho nos tempos de comunicação online, redes sociais, sites, marketing a distância e comércio eletrônico”, afirmou o executivo.

Com a experiência de quatro anos como gestor de projetos do MEI no Sebrae Nacional, em Brasília, o diretor aponta que esse é um caminho sem volta. Por isso, a empresa inovadora criada há um ano está organizando produtos para conectar o MEI a todas as ferramentas que estão ao alcance dos dedos ágeis do mercado.

O grande atrativo do MEI é regularizar, em poucos minutos, pessoas dispostas a empreender em 500 atividades profissionais, com o pagamento de tributação mensal de apenas 5% do valor do salário mínimo vigente para a Previdência Social (INSS), o que equivale hoje a R$ 49,9. E mais R$ 5,00 de imposto municipal (ISS), quando a atividade envolver prestação de serviço; e R$ 1,00 de imposto estadual (ICMS), quando for comércio e/ou indústria. Tudo isso pago em um único boleto.

Veja a entrevista do diretor executivo da DicasMEI:

DCI – O que deve ser ressaltado nesse décimo ano da criação da modalidade empresarial do MEI?
Celso Valente – É a revolução do sistema de trabalho no país. Porque você consegue hoje, sem multa e burocracia, dar oportunidade a quem precisa entrar no empreendedorismo formal e gerar renda para ele e para a família. Tanto por oportunidade, quanto por necessidade. Isso é o principal motivo de se comemorar a criação do MEI, pois realmente é uma modalidade desburocratizada que funciona. Tanto funciona que você tem aí mais 7,6 milhões de MEIs ativos e com incremento de 1 milhão por ano. Os números são fantásticos e falam por si só.

DCI – O que você recomendaria aos milhões de MEIs para se manter e progredir no mundo dos negócios?
Celso Valente – Como mensagem a todos os MEIs do País, recomendo àqueles ainda não conectados à internet que cada um avalie a entrada urgente na era digital e que avancem nessa caminhada todos os que já deram os primeiros passos no mundo online. Antes que seja tarde demais para impedir o fechamento das portas do próprio negócio, precisamos entender que a nova lógica empresarial exige um mergulho nos tempos de comunicação online, redes sociais, sites, marketing a distância e comércio eletrônico. O jogo mudou. E não vai ter prorrogação. Não podemos perder a oportunidade para fazer belos e muitos gols. Por isso, nossa empresa está se preparando com parceiros estratégicos para abraçar esse movimento. O objetivo é oferecer aos MEIs uma série de produtos que vai desde a concepção de um site até o acesso a ferramentas que assegurem aos MEIs identidade no mundo digital.

DCI – É fácil virar MEI, ou tem alguma pegadinha própria da burocracia brasileira?
Celso Valente – Ao longo do caminho, a própria estrutura de formalização foi se adequando e hoje é muito fácil. A estrutura aprendeu a ser cada vez mais acessível ao público.

DCI – Quanto tempo leva para se tornar MEI?
Celso Valente – Cinco minutos. Pelo Portal do Empreendedor (www.portaldoempreendedor.gov.br). A nossa própria empresa faz isso de maneira gratuita, por meio do nosso portal (www.dicasmei.com.br), oferecendo um processo intuitivo e explicativo para facilitar a compreensão dos MEIs. Ele permite que o próprio  empresário tenha consciência de cada etapa que está realizando na formalização da abertura da empresa dele.

DCI – Quais são os documentos necessários para a realização desse processo?
Celso Valente – RG, CPF e título de eleitor. Se ele tiver feito a declaração de Imposto de Renda Pessoa Física, nos últimos dois anos, ele pode usar o número do recibo. Ele também precisa informar o endereço em que pretende exercer as atividades, seja na residência, seja no ponto comercial. Ele pode trabalhar em casa, desde que a atividade dele esteja enquadrada no código de zoneamento urbano. Por isso, é importante fazer uma pesquisa prévia na prefeitura, para saber se a atividade pode ser exercida no local que ele pretende.

DCI – E como funciona em Brasília, que tem muitas áreas residenciais?
Celso Valente – Depende. Se for um carrinho de cachorro quente, por exemplo, pode, sim. Às vezes, ele precisa de um ponto residencial como referência, mesmo que exerça a atividade em outro local. Nesse caso, em Brasília, ele tem que consultar as administrações regionais para saber se a localização do empreendimento é viável.

DCI – A expansão do MEI foi ampliada? Antigamente existia muita atividade de menor tecnologia, de menor evolução, como os carrinhos de cachorro quente e serviços gerais. As startups também estão optando em começar como MEI?
Celso Valente – Para quem pretende começar uma atividade profissional de maneira formal com uma estrutura enxuta, com baixo custo, o MEI é o melhor caminho.

DCI – Qualquer que seja?
Celso Valente – Desde que não haja necessidade de ter um sócio e contratação de mais de um empregado. O MEI é o próprio empreendedor e só permite a contratação de um empregado. Aí tem que cumprir os requisitos da categoria.

DCI – A administração do DF abriu uma licitação exclusivas para MEIs nas cidades satélites para reformas de escolas. O poder público, de modo geral, tem dado uma atenção especial para o MEI? Tem aberto licitações para o MEI?  
Celso Valente – Bom, hoje em dia, qualquer governo que se afastar do MEI está jogando contra o desenvolvimento local, porque a facilidade hoje de você empreender como MEI também proporciona a facilidade de o governo focar no comércio local. E o comércio local é fundamental para o desenvolvimento de qualquer município.

DCI – E a sua empresa o que tem feito? Continua com o contrato com o Bradesco e a Serasa?
Celso Valente – Hoje, a gente conta com grandes empresas para melhorar o atendimento dos MEIs. Então, temos parcerias com empresas de venda porta a porta, continuamos com a parceria com a Serasa e o Bradesco e agora temos como parceiros a Diamantes Lingerie e a Intuicion Deluxe. Essas duas últimas são empresas com foco em moda íntima com presença marcante no Norte e no Nordeste.

DCI – O que a DicasMEI faz?
Celso Valente – A gente fornece serviços de tecnologia, produtos, informações e soluções que melhoram o dia a dia do empresário MEI. Esses itens estão no nosso portal (www.dicasmei.com.br), que já tem mais 1.000 de acessos por dia, o que é bom porque foi colocado no ar em abril de 2018.

DCI  – No Distrito Federal, deixou de haver a nota fiscal avulsa há dez meses, o que passou a obrigar os MEIs a terem um certificado digital. Isso pode significar um custo muito pesado para muitos MEIs?
Celso Valente – Pensando nisso, a DicasMEI, em parceria com a Serasa, permite o empreendedor a adquirir o certificado digital por um preço bem mais barato. Para mais informações, o interessado deve acessar  https://www.dicasmei.com.br/serasa.

DCI – Por que é importante ter certificado digital?
Celso Valente – Olha, se o MEI quer ter um diferencial competitivo, o certificado digital com certeza vai agregar isso aos negócios. Não se limita apenas à emissão de nota fiscal eletrônica. Tem várias outras finalidades. É um arquivo eletrônico que funciona como se fosse uma assinatura digital, com validade jurídica, e garante proteção às transações eletrônicas e outros serviços via internet, de maneira que pessoas (físicas e jurídicas) se identifiquem e assinem digitalmente, de qualquer lugar do mundo, com mais segurança e agilidade.
Por isso, estamos com uma parceria também com a maquininha Stelo. Ainda em janeiro, estaremos vendendo essas maquininhas na plataforma a custos competitivos.

DCI  – Mas já há muitos meios de pagamentos para o MEI. O que tem a Stelo de diferente?
Celso Valente  – Para começar, a Stelo é um produto das empresas Banco do Brasil, Bradesco e Cielo, o que garante um amplo atendimento de quase 100% em todo o território nacional.  A Stelo tem três maquininhas. Na compra da maquininha dos modelos Max ou Mob, o MEI recebe, de maneira a gratuita, o chip de dados que garante conexão wifi da operadora que ele preferir, sem custo. Caso não tenha uma conta bancária, ele pode adquirir um cartão pré-pago para fazer toda a movimentação da maquininha. Isso serve também para o recebimento da conta efetuada por cartão de crédito.
Ainda este ano, haverá várias novidades para o segmento empresarial que mais cresce no País.