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Sinal dos novos tempos protagoinizados pela vitória do deputado federal e capitão reformado do Exército Jair Bolsonaro à Presidência da República. No mesmo dia em que ele voltou a Brasília como presidente eleito, para participar das comemorações dos 30 anos da Constituição no Congresso e da transição de governo, o Conselho Superior do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Território decidiu, por unanimidade, retormar o nome da segunda ponte construída sobre o Lago Paranoá para o segundo presidente do período militar (1964-1985), o marechal de Exército Arthur da Costa e Silva.

Em 2015, por decisão do então governador do Distrito Federal Rodrigo Rollemberg (PSB), a ponte passou a ser denominada Honestino Guimarães, líder estudantil que desapareceu em 1973 após ser preso em Brasília, com base em projeto aprovado na Câmara Legislativa. A decisão foi Conselho foi tomada por conta de ação popular movida por procuradoras, uma delas a deputada federal eleita Bia Kicis (PRP-DF), uma das  principais aliadas de Bolsonaro. A alegação para a volta do nome antigo foi a falta de uma consulta à população do DF, considerada uma inconstitucionalidade.

A decisão foi alvo de questionamentos do GDF e dos autores da ação pública. Com os recursos, o caso subiu para a 7ª Turma Cível. No dia 21 de abril, o colegiado avaliou que a ação deveria ser remetida ao Conselho Especial, responsável por avaliar a adequação das leis do DF à Constituição.

Comunistas

Bia Kicis é uma das futuras congressistas mais próximas a Bolsonaro, que conheceu quatro anos atrás quando ambos (ela como ativiista do Instituto Resgata Brasil) atuavam na Câmara em pautas conservadoras como de defesa da família. Poderá assumir a presidência a Comissão de Constituição e Justiça. Ela aproximou no ano passado o então pré-candidato a presidente do economista Paulo Guedes, futuro ministro da economia. Foi uma das raras convidadas presentes na casa de Bolsonaro para acompanhar a apuração das urnas que culminou com vitória dele no último dia 28.

"Acabamos de ganhar uma ação importantíssima, porque ela representa que os comunistas não passarão", celebrou a futura deputada em vídeo públicado nas redes sociais. "No governo Bolsonaro, todos as ações dos comunistas irão cair".

Para ver o vídeo,clique aqui.

Homenagem ao antecessor

A ponte – uma das três ligações entre o Plano Piloto e o Lago Sul – foi inaugurada em 1976. Projetada pelo arquieto  Oscar Niemeyer com o nome de "Ponte Monumental", ela foi rebatizada pelo ex-presidente militar Ernesto Geisel para homenagear o antecessor Costa e Silva.

Ditador

"Voltar com o nome de um ditador é um equívoco", cometou o deputado distrital Ricardo Vale (PT), autor do projeto que mudou o nome da ponte. Ele não conseguiu ser reeleito para o cargo. O distrital citou que o oprojeto de sua autoria foi baseada em recomendação da Comissão da Verdade para que fossem retirados nomes que fizessem menção à ditadura militar de logradouros ou monumentos.