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O presidente eleito Jair Bolsonaro confirmou neste domingo (28), após a vitória nas urnas, que o seu primeiro ato no cargo será enviar ao Congresso Nacional projeto que fará mudanças na lei para dar às pessoas o direito de ter uma arma, mas não para que andem armadas. É facilitar a posse para “legítima defesa”.

Em declarações já como o próximo presidente da República, o capitão reformado do Exército e deputado federal afirmou que esse foi um dos principais apelos recebidos da sociedade durante suas andanças pelo país antes de ser atingido com uma facada, no dia 6 de setembro, em Juiz de Fora (MG).

“Ninguém apoia o Estatuto do Desarmamento onde qualquer um possa comprar arma e andar com ela por aí. Inclusive, isso é para a posse de arma de fogo. Não estamos tratando de mudança no tocante ao porte de arma de fogo”, afirmou Bolsonaro

Armamento já!

Os defensores da flexibilização do Estatuto do Desarmamento querem tocar a tramitação da matéria ainda neste ano. Esse é o sonho de consumo da chamada ‘bancada da bala’ na Câmara.

Anistia

O coordenador da bancada até o final deste ano, o deputado federal Alberto Fraga (DEM-DF), pretende ser relator do projeto para facilitar a posse de arma.

Ele quer inserir na proposta anistia aos que têm armas ilegalmente, livrando de sanções os que deixaram de renovar registros de posse ou porte. Ele também quer um novo recadastramento para se ter uma espécie de censo das armas no Brasil.

Idade mínima

Fraga quer enxugar o texto do projeto de lei aprovado em comissão especial, em novembro de 2015, para minimizar as controvérsias em torno do tema, mas manterá pontos considerados cruciais pela ‘bancada da bala’.

Um deles é a redução da idade mínima para comprar arma de 25 anos para 21 anos. Outro retira a obrigatoriedade de o civil comprovar a necessidade da arma de fogo, bastando apenas que cumpra os requisitos objetivos da lei, como teste psicológico e de aptidão técnica.

Outro ponto do qual o coordenador da bancada da bala não quer abrir mão é o porte rural, criado no texto aprovado pela comissão, para permitir o porte de arma em fazendas, por exemplo..

Pacificação sem cumprimentos

Após o resultado das eleições, nem Jair Bolsonaro nem o candidato derrotado Fernando Haddad (PT) não deram destaques a discursos de pacificação. Haddad sequer cumprimentou o adversário pela vitória, uma conduta não afinada com quem se declara um educador. Idem para o vencedor em relação ao vencido.

De sua parte, Bolsonaro, por meio de uma ‘live’ no Facebook, deixou de fazer prometido discurso de pacificação ou a promoção da união do país, uma semana depois de ter dito que pretendia "varrer do mapa esses bandidos vermelhos do Brasil".

Em uma segunda ‘live’, Bolsonaro assinalou: "Seguirei o exemplo do patrono do Exército brasileiro, o Duque de Caxias, e irei pacificar o Brasil. Vou buscar pacificar o nosso Brasil. Nós vamos pacificar. Sem eles contra nós ou nós contra eles. Nós temos como fazer políticas que atendam o interesse de todos”.

Oposição em disputa

Em seu discurso, Haddad assinalou que não dará tréguas ao novo governo, alertando: “Um professor não foge à luta”.

O candidato derrotado sinalizou que pretende se cacifar como líder da oposição. Uma queda de braço com o ex-governador Ciro Gomes, candidato derrotado do PDT, que decidiu não apoiar a candidatura do PT no segundo turno.

Menos Brasília

O presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) deverá permanecer no Rio de Janeiro nesta semana, onde passou a maior parte da campanha no segundo turno, recuperando-se do atentado em Juiz de Fora. A intenção é ir à Brasília apenas na próxima semana, após o feriado de Finados, para dar início ao governo de transição.

Uma fonte da assessoria do presidente eleito aponta que ele poderá mudar de planos e vir a Brasília nesta terça-feira (30).

Prestígio

Terceira deputada federal mais votada no Distrito Federal, Bia Kicis (PRP),  procuradora do Distrito Federal por 24 anos, foi convidada por Bolsonaro para acompanhar a apuração das eleições na casa dele no Rio de Janeiro, segundo a assessoria da nova parlamentar. Foi ela quem apresentou o futuro ministro da Economia, Paulo Guedes, ao presidente eleito.

Bia Kicis é cotada para ser líder do governo na Câmara ou assumir comissões importantes da Casa, a exemplo da Comissão de Constituição e Justiça.  Ela é a favor da flexibilização do Estatuto do Desarmamento e redução da maioridade penal.

Também é coautora de pedido de impeachment apresentado em junho ao presidente do Senado, Eunício Oliveira (MDB-CE), contra o presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Dias Toffoli, sob acusação de haver favorecido o ex-ministro José Dirceu (chefe da Casa Civil, no primeiro governo Lula) e o Banco Mercantil do Brasil.  Toffoli não se manifestou a respeito na época da apresentação do pedido de impeachment.

Som de Gramado

Há quatro anos nas festas de Natal, no polo turístico de Gramado (RS) um jovem cearense de pouco mais de 20 anos parecia proclamar uma heresia ao defender em alto e som: “´Precisamos eleger Jair Bolsonaro presidente do Brasil”.

Petistas que ouviram a previsão nunca imaginariam iria virar realidade. Desde então o discurso de Bolsonaro já ecoavam pelo país pelas redes sociais e longe da grande mídia.