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Que a tecnologia está acabando com as assimetrias de informação, não é novidade. Diversos tipos de soluções estão mudando radicalmente a forma como interagimos com o mundo e a forma de se fazer negócios. Informação e conhecimento estão alterando materialmente nossas vidas e hábitos enquanto as projeções de futuro da cultura e das áreas dentro de uma organização, assim como seu próprio core business, estão mais incertas. De fintechs e tecnologias para RH a mudanças no mercado de energia, passando por carros autônomos, inteligência artificial, saúde, biotecnologia e até neurociência, diversos setores e áreas de conhecimento estão sendo afetados e colocadas em cheque suas certezas. A abundância de informações que estão passando a serem usadas estão transformando a capacidade de gerir uma organização. Mas, como diria Salim Ismail, autor de Organizações Exponenciais (HSM no Brasil) e um dos fundadores da Singularity University, a grande questão hoje para a gestão é como fazer CEOs tradicionais pensarem diferente.

Para reagir a essas transformações é necessário entender as forças que ameaçam e transformam seu negócio. Seja na indústria financeira, na logística ou no agronegócio, todos os setores estão expostos a revolução digital que está acontecendo. Estão em jogo a competitividade e, muitas vezes, a continuidade dos negócios. Dessa forma, não apenas garantindo a capacidade de os executivos assimilarem a inovação e transformação digital, faz-se necessário compor Conselhos de Administração que também reflitam este novo mundo.

Muitas empresas, a exemplo da CVC ou Localiza, estão reorganizando seus conselhos e trazendo pessoas de diversos backgrounds ligados diretamente ou não a inovação e tecnologia. São nomes de executivos ou empreendedores de startups que se tornaram referência (NuBank, 99, Stone, Google) ou com esse papel mais “digital” em grandes empresas que estão sendo convidados para essas cadeiras para trazer esse mundo que passa por tecnologia, modelos de negócio e até a experiência do cliente, para dentro do conselho.

Além de entender que nem todas as inovações são tecnológicas e que tecnologia não é sinônimo de inovação, os processos de seleção de conselheiros precisam ser repensados. Não apenas do ponto de vista de se ter profissionais com conhecimento, mas também levando em conta a mudança no conjunto de quesitos de um “currículo”, mesmo para as outras funções no conselho, que seja capaz de entender as transformações do mundo e seus impactos na organização e no seu jeito de fazer negócios. Afinal, independentemente, e até antes, de ter alguém de inovação e tecnologia no conselho, mais importante se faz, que os outros conselheiros tenham a preocupação e skills que os permitam entender as discussões e o que está no entorno de suas atuações. Ou seja, no momento em que vivemos nos conselhos de administração é essencial pensar na composição com pessoas que desse novo mundo, mas é imperativo investir na adaptação dos outros perfis ao Mindset digital e de inovação.