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O mundo está quase abolindo a relação entre pessoas e substituindo os seres humanos por máquinas, no contexto das inovações tecnológicas, mas ainda não conseguiu resolver um dos problemas mais básicos da humanidade: suprir a fome.

Relatório apresentado ontem pela União Europeia, Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e Programa Mundial de Alimentos (PMA) concluiu que cerca de 113 milhões de pessoas em 53 países tiveram insegurança alimentar aguda em 2018, na comparação com 124 milhões em 2017.

A insegurança alimentar aguda ocorre quando a incapacidade de uma pessoa de consumir alimentos adequados coloca em perigo imediato sua vida ou seus meios de subsistência. Apesar do recuo em 2018, o número de pessoas no mundo que enfrentam crise alimentar se manteve acima dos 100 milhões nos últimos três anos, e o volume de países afetados aumentou, analisa o documento.

Um dos lados perversos dessa realidade é que quase dois terços das pessoas que passam fome aguda estão em apenas oito países: Afeganistão, Etiópia, Nigéria, República Democrática do Congo, Sudão do Sul, Sudão, Síria e Iêmen.

No século 21, o fato é que a insegurança alimentar continua sendo um desafio global. Neste sentido, algumas iniciativas já são concretos. Por exemplo, entre 2014 e 2020, a União Europeia terá destinado cerca de 9 bilhões de euros para promover a segurança alimentar e nutricional e agricultura sustentável em mais de 60 países.

O relatório mundial enfatiza a necessidade de fortalecer a cooperação entre os atores humanitários, de desenvolvimento e da paz para reverter e prevenir as crises alimentares. Uma rede mundial mais forte pode ajudar a conquistar mudanças em campo para as pessoas que realmente necessitam, na visão das entidades globais que assinam o documento.

Faceta recente do problema da fome decorre dos desastres climáticos e naturais, que atingiram outras 29 milhões de pessoas em 2018. E isso porque 13 países — incluindo Coreia do Norte e Venezuela — não estão incluídos na análise devido à falta de dados.