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Os sinais já são mais do que evidentes: cresce o consenso no mercado de que a lua de mel com o governo acabou. E terminou cedo. Os motivos são vários, mas o que realmente está determinando esse “rompimento” é a inanição do novo governo em relação a medidas concretas para retomar o crescimento econômico.

As expectativas estão cada vez mais no caminho da deterioração. Além da redução das projeções para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) deste ano, que começou ao redor de 3% e já desceu a ladeira para cerca de 1,5% a 1% em 2019, o mercado estendeu a revisão de estimativas para a economia no próximo ano.

Ou seja, 2020 também está contaminado negativamente pelo atual quadro de falta de horizonte claro na recuperação da atividade econômica, com os investidores puxando mais o freio de mão, diante do desemprego alto, da queda na renda dos brasileiros e de um governo que ancorou todo seu projeto unicamente na reforma da Previdência.

Todos os últimos indicadores são ruins: de confiança dos empresários e dos consumidores, de intenção de contratação de funcionários, de investimentos. A ponto de lideranças do comércio e dos servidores concluírem que, desde a eleição de 2018, este é o momento mais crítico, decepcionando toda a esperança depositada na troca de governo.

O governo não está bem na articulação política junto ao Congresso, comprometendo o avanço da reforma da Previdência, a única carta que a equipe econômica do presidente Jair Bolsonaro (PSL) tirou da manga, até agora, para recuperar a economia e buscar um equilíbrio do grave quadro das contas públicas. Isso, sem levar em conta que está se formando um outro consenso: o de que só a reforma do sistema previdenciário não será suficiente para tirar o País da encruzilhada em que se encontra.

Sem evidências de melhora, resta ao governo reagir e tomar providências para estimular a economia. O País está esperando para breve o anúncio de algumas medidas nessa direção. Oxalá não sejam de efeito restrito como foram as anunciadas semanas atrás.