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Uma coisa é ser a pedra, outra é estar no lugar da vidraça. Após quase oito meses na Presidência da República, Jair Bolsonaro (PSL) e seus principais auxiliares diretos parecem ainda não diferenciar bem essas duas condições. Pelo menos no que diz respeito à liberdade que exercem ao se manifestarem, sobre assuntos diversos no âmbito da administração pública federal, com implicações sérias para o País e para os brasileiros.

Ontem, o jornal O Estado de S. Paulo trouxe manchete sobre campanha internacional que o Palácio do Planalto fará, a partir de setembro próximo, para mudar a imagem do Brasil perante os mercados externos onde nossas exportações são adquiridas e consumidas.

A campanha resultaria de pressão do agronegócio, que já vê prejuízos no horizonte próximo em decorrência do discurso ambiental de Bolsonaro e de seu ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, a quem é atribuído o desmonte do aparato de fiscalização e gestão dos ativos ambientes previstos na legislação e, claro, a flexibilização das leis vigentes.

A polêmica entre o governo e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), com críticas feitas por membros do governo federal, entre eles o próprio presidente Bolsonaro, que acabou na demissão do presidente do órgão, um dos mais respeitados em termos globais sobre o monitoramente do desmatamento na Amazônia, é apenas um dos vários episódios que estão sendo vistos por entidades do agronegócio como prejudiciais ao setor.

“Falar em garimpar em território indígena serve a quem? O governo deveria estar falando em métodos e processos para vigiar a Amazônia para valer”, disse, em evento em São Paulo, o presidente do Instituto CNA, braço da Confederação Nacional da Agricultura, Roberto Brant, segundo o jornal O Estado de S. Paulo.

Bolsonaro e seus auxiliares continuam agindo como se suas declarações continuassem surtindo o efeito das informações espalhadas durante a campanha eleitoral, no WhatsApp, quando pediam votos. Esquecem-se que são autoridades da oitava economia do mundo.