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Se tem uma área da administração pública brasileira que não apresenta problemas, pelo menos no curto prazo, é a de competência do Banco Central, especialmente a condução da política monetária. Com a inflação bem abaixo do centro da meta de 4,25% para este ano, e o juro básico em 6,5% ao ano – embora o menor patamar histórico, ainda dentre as maiores do mundo –, por enquanto, o céu está de brigadeiro para o economista Roberto Campos Neto, que tomou posse ontem como presidente do Banco Central, em reunião privada no Palácio do Planalto.

Campos Neto assume o lugar de Ilan Goldfajn, no comando da instituição desde junho de 2016. A transmissão do cargo está agendada para depois do Carnaval, em uma solenidade com a presença de convidados.

Indicado pelo presidente Jair Bolsonaro (PSL), integrou a equipe econômica do governo, desde a transição. Ao ser sabatinado pela Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, nesta semana, e ser aprovado para o cargo, o novo presidente defendeu a autonomia do Banco Central e afirmou que terá como foco estabilizar o poder de compra da população e assegurar um sistema financeiro sólido e eficiente. Também estimulará cooperativas e fintechs, na busca de maior competitividade no concentrado sistema bancário do País.

Ao lado dessas prioridades, Campos Neto terá um desafio de médio e longo prazos – pelo menos o horizonte do mandato atual, de quatro anos. O maior legado que a nova gestão do BC poderia deixar ao País seria manter a inflação controlada, mas não mais somente em consequência da fraca atividade econômica. Após 2015 e 2016 com queda no Produto Interno Bruto (PIB), tivemos em 2017 e 2018 um crescimento pífio de 1,1% em cada ano. Apesar da queda da Selic, as empresas pagam 347,2% ao ano de juro para se socorrer no cheque especial, 17 pontos porcentuais a mais que um ano atrás.

Enfim, a tarefa é larga e inclui também a redução do famigerado spread bancário, que se mantém em elevado patamar no País. Sem falar na recuperação da confiança.