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Apesar de todas as evidências já indicadas cientificamente e dos fenômenos que vêm ocorrendo nos últimos anos, com alto potencial destrutivo, uma boa parte das lideranças – políticas, empresariais, governamentais – continua tentando ignorar os efeitos das mudanças climáticas e, especialmente, a necessidade de medidas concretas para minimizá-los.

Infelizmente, no Brasil, considerado uma das maiores reservas de biodiversidade do mundo, incluindo a Amazônia e outros biomas ambientais, não é diferente. Ou melhor, ultimamente está havendo uma radicalização dos contrários à proteção ambiental responsável e madura, por parte daqueles que ainda acreditam que o assunto é coisa de “ecochatos”.

Uma mostra desse movimento foi dada anteontem (29) à noite, na Câmara dos Deputados, na votação de flexibilização do Código Florestal, liberando de recuperação milhões de hectares que foram desmatados País afora, no passado. Essa postura perante a questão ambiental está sendo incentivada pelo governo federal, aliado de parcela do agronegócio que não vê as vantagens econômicas de se aliar a uma onda global de produção sustentável, tendência já praticada em vários países desenvolvidos.

O irônico é que o governo federal tem como prioridade colocar o Brasil na Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico ou Econômico (OCDE).

Para além das consequências ambientais, e, diga-se, para toda a humanidade, a proteção dos recursos naturais é relevante também para as empresas. Por exemplo, após o rompimento da barragem da Vale, na Mina do Feijão, em Minas Gerais, um pente fino nas mineradoras tem levado à paralisação das operações em diversas estruturas. E isso ajudou a empurrar, para baixo, o Produto Interno Bruto (PIB) do primeiro trimestre deste ano, que foi de menos 0,2% frente aos últimos três meses de 2018. A produção da indústria extrativa recuou 6,3% na mesma comparação, com destaque para a extração de minérios ferrosos.

O ideal é que essas lições amargas fossem consideradas e a questão ambiental entrasse na agenda do País. Para valer.