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O presidente Jair Bolsonaro (PSL) colocou em pauta na imprensa internacional a Amazônia, com suas declarações polêmicas e em defesa da liberação do garimpo na região, inclusive em reservas indígenas, a contestação de dados científicos sobre o avanço do desmatamento e até mesmo a concessão, à iniciativa privada, da exploração de reserva ambientais.

A edição desta quinta-feira (1) da revista britânica The Economist, em matéria de capa – “Velório para a Amazônia” – alerta para a ameaça do “desmatamento descontrolado” e critica as políticas adotadas pelo governo brasileiro atual com relação à região amazônica, onde o desmatamento cresce aceleradamente desde 2015.

De acordo com a publicação, desde que o presidente Bolsonaro assumiu o cargo, em janeiro deste ano, “árvores vêm desaparecendo a uma taxa de duas Manhattans por semana”. Acrescenta que Bolsonaro é “sem dúvida, o chefe de Estado mais perigoso em termos ambientais do mundo”.

A revista indica ainda que o bioma da Amazônia está sofrendo desde o primeiro mandato do governo Dilma Rousseff (2011 a 2014), quando o Congresso Nacional aprovou a flexibilização do Código Florestal e foi reduzida, em 72%, a verba do governo federal destinada à proteção da Amazônia, que corresponde a 40% das florestas tropicais de todo o mundo. Outros fatores que ameaçam o futuro da floresta amazônica é o quase abandono do Estado brasileiro à fiscalização do cumprimento da legislação ambiental, em decorrência, também, das crises econômica e política.

A publicação sugere que, diante da relevância da floresta para o planeta, parceiros comerciais do Brasil comecem a incluir a proteção da Amazônia nos acordos comerciais, a exemplo do que foi feito no recente protocolo assinado entre a União Europeia e o Mercosul.

Não é a primeira vez que os países desenvolvidos dão seu recado sobre possíveis prejuízos que produtores rurais brasileiros podem sofrer, se os estrangeiros começarem a boicotar nossos produtos, como forma de contestar contra o desmatamento descontrolado.

Sem dúvida, as consequências vão chegar.