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As eleições primárias na Argentina, ontem (11), são termômetro importante para mostrar como os candidatos principais estão se saindo antes da eleição geral de 27 de outubro. Eleitores foram às urnas para definir partidos e candidatos habilitados a participar das eleições gerais. Essa votação – Paso (Primárias, Abertas, Simultâneas e Obrigatórias) – serve como pesquisa nacional para definir principais concorrentes às eleições presidenciais e para renovar um terço do Senado e a metade das cadeiras da Câmara dos Deputados.

Em algumas províncias, como Buenos Aires, serão definidos ainda os candidatos a governador. Apenas poderão concorrer às eleições as forças políticas que conquistarem, pelo menos, 1,5% dos votos.

Como nas eleições de outubro passado no Brasil, no país vizinho a disputa pela Presidência da República está sendo polarizada entre os que querem a reeleição do atual presidente, Mauricio Macri, e os que querem o retorno de Cristina Kirchner, desta vez como candidata a vice-presidente na chapa de Alberto Fernández.

As eleições presidenciais na Argentina, neste ano, são relevantes por vários motivos. Primeiro, porque o eleitorado vai avaliar as políticas econômicas amargas que o presidente Mauricio Macri diz serem necessárias para colocar a economia em uma situação mais sólida, mas que ajudaram a alimentar uma inflação em disparada, atingindo a população duramente. Aqui, embora os preços estejam controlados, mais por causa da atividade econômica fraca, o atual governo está seguindo cartilha liberal bem semelhante a de Macri.

 

Outra razão para o Brasil ficar de olho no resultado desse pleito é o fato de a Argentina ainda ser um parceiro comercial de peso – hoje, o quarto, atrás da China , Estados Unidos e Europa. O que acontece na economia do país vizinho, impacta na economia brasileira – a indústria automotiva que o diga, com a forte retração das exportações para os argentinos.

 

Uma segunda chance a Macri reforçará a agenda liberal na região. A volta de Kirchner pode indicar uma volta ao populismo.