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Aquilo que imaginávamos como algo distante, não só está bem perto, como já começou. O uso de recursos naturais finitos, especialmente da água, como arma em disputas entre nações, infelizmente, já deixou de fazer parte de roteiros de filmes futuristas. Ontem, o Paquistão acusou a Índia de usar água como arma em disputa na Caxemira.

Denunciando que a Índia trava uma “guerra de quinta geração”, o Paquistão disse que Nova Déli não comunicou a liberação da água de uma represa, que pode causar inundação na fronteira.

De acordo com a agência de notícias Reuters, as relações entre os vizinhos, já hostis, se deterioraram profundamente após a decisão indiana deste mês de revogar o status especial de sua parte na região da Caxemira, que os dois países reivindicam. O Paquistão reagiu com fúria, cortando os laços de transporte e comércio e expulsando o embaixador da Índia em retaliação.

“Eles tentam isolar diplomaticamente, tentam estrangular economicamente, estão tentando estrangular nossos recursos hídricos –e a água automaticamente terá um impacto na sua economia, sua agricultura e sua irrigação”, disse Muzammil Hussain, presidente da Agência de Desenvolvimento de Água e Energia (Wapda), à Reuters.

Nessa “guerra de quinta geração”, como denominam os indianos, o poder está com quem domina a água. Ao contrário do que ainda pensa a maioria dos habitantes do planeta, a água doce é um recurso natural finito. Sem a água doce, não há vida, pois seres humanos e animais dependem dela para viver.

Assim como as águas salgadas, os rios e suas nascentes estão sendo afetados pelas mudanças climáticas, ou, como preferem os mais engajados, crise climática. Desmatamento, especialmente na Amazônia e em outros biomas importantes, como o Cerrado, já mostram seus efeitos negativos no meio ambiente do Brasil.

E não precisamos ir até a disputa entre a Índia e o Paquistão pela Caxemira. Boa parte dos nordestinos ainda não conseguem ter acesso regular à água.