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Vídeos, palpites de filhos, redes sociais em polvorosa e uma declaração bombástica de que a democracia só existe se as Forças Armadas quiserem. Isso foi o suficiente para que o mercado se sentisse inseguro a respeito das estratégias do governo, especialmente para aprovação de reformas estruturais consideradas essenciais para o acerto das contas públicas. Com toda essa desconfiança gerada pelos ruídos da política, ontem a bolsa oscilou muito e o dólar retomou escalada, atingindo a máxima de R$ 3,90, fechando a R$ 3,88, alta de 1,27%, maior patamar desde 27 de dezembro de 2018. A questão é que economia é uma grande engrenagem, que depende de muitas “peças” para funcionar direitinho. Uma das mais importantes é a expectativa. E quando não é boa é o suficiente para desorganizar todo o sistema e levar os investidores para a segurança da moeda norte-americana. Na vida real, isso se materializa em receio para investimentos e contratações. Empresários ficam cautelosos em ampliar seus negócios, o que acaba colocando a população também na retranca na hora dos gastos. Não é a toa que a inflação está controlada, pois não há pressão do consumo. E já há analistas e instituições dizendo que os juros podem voltar a baixar já na próxima reunião do Copom.

O professor da Faculdade de Economia da USP Simão Silber disse ao DCI que o atual quadro de inflação controlada permitirá que a economia conviva com juro real de 2,3% ao ano pelos próximos 12 meses. Economistas entrevistados pelo BC estimam que a inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), feche 2019 com alta de 3,85%, abaixo da meta para o período de 4,25%. Já para 2020, a expectativa é que o IPCA termine o ano na meta (4%). O professor de economia da Universidade Mackenzie Marcelo Ranieri diz que o cenário de inflação controlada também se explica pela forte redução de gastos do governo, tendo em vista que o Estado sempre teve uma participação importante no estímulo econômico. Resta saber agora quais serão os passos do governo já na próxima semana para o andamento das reformas e a melhora das expectativas.