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Por enquanto, é o couro. Daqui a pouco, o boicote pode ganhar força e se estender para outros produtos brasileiros dentre o vasto cardápio oferecido por um país considerado celeiro de alimentos do mundo. A reação da parte dita civilizada do planeta já mostrou que não vai aceitar passivamente a destruição do pulmão global, a Amazônia.

Ontem, a H&M, segunda maior varejista de moda do mundo, anunciou que parou de comprar couro do Brasil temporariamente devido a preocupações ambientais ligadas a incêndios na Amazônia. “Devido aos graves incêndios na parte brasileira da floresta amazônica e às conexões com a produção de gado, decidimos suspender temporariamente o couro do Brasil”, afirmou a H&M em comunicado por e-mail.

“A proibição permanecerá ativa até que existam sistemas de garantia críveis para verificar se o couro não contribui para danos ambientais na Amazônia”, afirmou o documento. Porta-voz da H&M disse que a maioria do couro do grupo é originária da Europa e que uma parte muito pequena é do Brasil.

 

Semana passada, a VF Corporation, empresa responsável por marcas como Timberland, The North Face, Kipling e Vans, decidiu não seguir se “abastecendo diretamente com couro e curtume do Brasil para os negócios internacionais até que haja a segurança que os materiais usados em nossos produtos não contribuam para o dano ambiental no país”, numa referência às queimadas e ao desmatamento na Amazônia.

Consumidores europeus levam cada vez mais a sério o consumo consciente, onde a questão da sustentabilidade ambiental ganha peso, perpassando a produção agrícola, industrial e até mesmo os serviços. Estão bem à frente dos brasileiros, que começam a prestar atenção nesses quesitos na hora de adquirir bens e serviços. E são os consumidores que provocam mudanças de atitude nas empresas.

Aos poucos, infelizmente, começam a aparecer os efeitos negativos das queimadas na Amazônia e da postura do governo em relação ao meio ambiente. O couro é apenas a ponta de um iceberg.