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R$ 77,8 bilhões, ou seja, quase R$ 80 bilhões, foi o déficit da Previdência pública dos governos estaduais, incluindo a aposentadoria dos três Poderes, em 2017. No ano passado, tudo indica, esse rombo deve ter crescido, acompanhando a tendência dos últimos anos.

O número foi levantado em estudo da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan), divulgado ontem. Só São Paulo registrou o maior rombo em 2017, com saldo negativo de R$ 18 bilhões. Rio Grande do Sul teve o segundo maior déficit, com R$ 11,1 bilhões. Rio de Janeiro, com R$ 10,6 bilhões, e Minas Gerais, com R$ 8,2 bilhões, completam a lista do levantamento da Firjan.

O estudo revela que apenas quatro unidades da federação brasileira registravam superávit na Previdência pública em 2017: Amapá, Roraima, Rondônia e Tocantins. Todos os 23 demais registraram déficits.

Como era de se esperar, o presidente da Firjan, Eduardo Eugenio Gouvêa Vieira, aproveitou a divulgação dos dados para defender a reforma da Previdência. "A conta vai ser paga por todos nós e sem capacidade futura de essa conta melhorar. Gostaria que os congressistas se debruçassem sobre esse quadro", afirmou Gouvêa Vieira.

O trabalho da Firjan é mais um que retrata a “bomba relógio” em que se transformou a Previdência dos governos, não só estaduais, mas também das prefeituras e do governo federal. Embora o foco do debate em torno da reforma da Previdência sempre esteve mais voltado ao sistema de aposentadorias e pensões dos trabalhadores do setor privado, o regime de previdência dos servidores públicos das três esferas de governo é, certamente, um problema muito maior, pelo elevado custo de um funcionário aposentado em relação à média do valor dos benefícios pagos aos trabalhadores de empresas privadas pelo INSS.

Finalmente, alguns segmentos da sociedade se movimentam, caso da Firjan, para mostrar a gravidade de um aspecto da crise da Previdência, no momento em que o País inicia uma reforma do sistema. E que interessa aos governadores e prefeitos interessados em evitar o avanço da “bomba relógio”.