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Finalmente, ontem, o ministro da Economia, Paulo Guedes, alertou para um fato que o País já se deu conta há algum tempo: o Brasil não pode ficar esperando a reforma da Previdência para o governo avançar com sua agenda. “Não podemos ficar parados esperando a Previdência, isso vai ser votado nos próximos 2, 3, 4 meses”, disse ele.

Guedes, no entanto, não deixou de enfatizar que, sem as reformas, a União também está em dificuldades e “aí é abraço de afogados”. Segundo ele, o governo conta com a aprovação da admissibilidade do texto da reforma da Previdência na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara na semana que vem, após adiamento da votação, ontem.

Há mais de cem dias no comando do governo federal, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) e sua equipe ministerial permaneceram a maior parte desse tempo batendo na tecla da importância da reforma da Previdência, um “samba de uma nota só”, como chegou a ser taxada a atitude do novo governo.

Há uma semana, o Palácio do Planalto anunciou uma série de medidas, na passagem dos cem dias de governo Bolsonaro, cuja ação mais importante é a proposta, enviada ao Congresso, de certa autonomia ao Banco Central. Junto com isso, um “revogaço” para desburocratizar algumas áreas da administração pública federal, e um projeto de lei para permitir aos pais a educação domiciliar, um tema tão polêmico quanto a liberdade da direção da autoridade monetária em relação aos chefes do Executivo federal.

Até agora, portanto, nenhum sinal vindo do governo para tentar reverter a decadência da indústria brasileira, o marasmo da atividade econômica, o atraso tecnológico, a perda de competitividade da produção brasileira, do capital humano, o déficit na infraestrutura, o aumento da violência – incluindo a praticada pelo crime organizado e pelas milícias –, etc.

E, a julgar pelo discurso de Guedes, essa agenda – excluindo a reforma da Previdência – é a privatização, mais um socorro aos governos estaduais, o ajuste das contas públicas. Não que não sejam relevantes, mas o Brasil real continua de lado.