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Na crise da governança mundial, em que as instituições multilaterais perdem cada vez mais espaço, o enfraquecimento de uma delas, em especial, preocupa o Brasil, sobretudo o setor privado. Trata-se da Organização Mundial do Comércio (OMC), que tem sua abrangência ameaçada pela guerra comercial entre Estados Unidos e China, e pelo aumento do protecionismo que varre o mundo.

A preocupação não é sem razão. Segundo projeções da Confederação Nacional da Indústria (CNI), o comércio do Brasil com países do G20, as 20 maiores economias do mundo, tende a sofrer uma sobretaxa 120% maior do que a atual, caso prospere a guerra comercial entre EUA e cresçam as medidas de proteção das demais economias.

O estudo mostra que entre 1995, ano de criação da OMC, e 2017, as tarifas médias de importação aplicadas pelos países do G-20 caíram de 11% para 5%. Essa simulação aponta que, se os impostos de importação voltarem ao patamar pré-OMC, em meio ao enfraquecimento da instituição, os exportadores brasileiros passariam a pagar US$ 6,3 bilhões a mais em impostos nas vendas para os países do G20.

Na prática, o impacto já está acontecendo, com a alta do imposto de importação em até 25% para mais de 3 mil produtos, em decorrência das divergência entre norte-americanos e chineses. A União Europeia também fixou tarifas de 25% para importações de cerca de 26 produtos siderúrgicos.

Em reação ao potencial prejuízo para as exportações brasileiras, as empresas já pressionam nos fóruns internacionais para a realização de uma reforma na OMC, capaz de restaurar a legitimidade do sistema multilateral de comércio. Ontem, em São Paulo, a CNI e a Câmara de Comércio Internacional (ICC) discutiram o tema, com entidades empresarias dos Estados Unidos, México, União Europeia e países do Mercosul.

O Brasil tem todo interesse em fortalecer o sistema multilateral do comércio. Com uma pauta diversificada de exportação e elevada participação do agronegócio, nosso país seria mais prejudicado do que os demais concorrentes no mercado mundial.