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O que é bom dura pouco. O ditado popular pode ser aplicado ao imbroglio do processo da reforma da Previdência Social, que começava a engatinhar no início desta semana, depois de dias de turbulência entre o Palácio do Planalto e a Câmara dos Deputados. Mas o clima menos belicoso não durou mais de alguns dias.

O debate acirrado ocorrido na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara anteontem (3), com troca de agressões verbais, foi uma mostra do que deve acontecer quando a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) da reforma da Previdência chegar à Comissão Especial da Câmara, onde a discussão será mais ampla do que a questão da constitucionalidade ou não do texto, atribuição da CCJ.

A estreia do ministro da Economia, Paulo Guedes, como articulador da proposta junto aos parlamentares, escancarou a atual situação – desfavorável – do governo do presidente Jair Bolsonaro (PSL) no Legislativo federal. Guedes teve de defender, praticamente sozinho, a proposta do governo diante de uma oposição armada até os dentes para combater as polêmicas mudanças pretendidas pela equipe econômica e por Bolsonaro. A base – que base? – não compareceu.

A falta de articulação do governo ficou tão evidente que fez a Bolsa cair e o dólar subir, já que a expectativa era um avanço no diálogo, com um tom mais conciliador por parte do ministro da Economia, que confirmou sua fama de não levar desaforos para casa, respondendo à altura as provocações.

Resta saber se o Palácio do Planalto tem um coelho para tirar da cartola e reverter o clima cada vez mais difícil para tramitar e aprovar a reforma da Previdência, vendida pelo próprio governo como sua missão primordial neste início de governo, que daqui a alguns dias completa 100 dias com poucas realizações.

Sem uma base formada a esta altura, sem uma nova política no lugar da velha política rechaçada pelo governo, com os partidos menos interessados em apoiar Bolsonaro na medida que sua popularidade cai, qual será a saída? Vamos aguardar os próximos capítulos.