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O mais recente Relatório Mundial sobre Drogas, divulgado nesta semana pelo escritório das Nações Unidas UNODC, apontou uma expansão do mercado global de cocaína nos últimos anos. A produção do entorpecente atingiu estimadas 1.410 toneladas em 2016, o mais alto nível já reportado. Embora o Brasil não seja produtor da droga – Colômbia e Peru lideram esse ranking – o país é natural rota de tráfico para Europa, África e Oceania. É preciso cobrar dos candidatos à Presidência da República neste ano planos concretos de policiamento das fronteiras.

Segundo os dados, o segundo maior fluxo mundial de tráfico de cocaína é o dos países andinos para a Europa (a rota para os Estados Unidos ainda é a principal). Com base em números de apreensões, o organismo da ONU concluiu que a Colômbia foi o país de partida mais citado pelas autoridades europeias no período 2012 a 2016, com 20% de menções. Mas o Brasil veio logo atrás, com 16%, seguido de Equador e República Dominicana. Na Europa, Espanha e Países Baixos foram os países de trânsito mais frequentemente reportados, seguidos por Alemanha e Bélgica.

Parte da droga apreendida no Velho Continente é proveniente de países africanos, o que aponta uma rota alternativa para os criminosos latino-americanos. E o Brasil foi o país de partida mais citado para a cocaína interceptada em todas as sub-regiões da África no período 2012 a 2017. A droga apreendida na Ásia nesse período de 2012-2016 também partiu ou transitou pelo Brasil. A Austrália é outro destino muito citado.

Essas informações precisam ser tratadas com inteligência pelas autoridades brasileiras, por meio de um planejamento integrado. Uma proposta de emenda constitucional para a criação de uma Polícia de Fronteiras foi apresentada neste ano pelo senador Wilder Morais (PP-GO) e o texto contém boas ideias nesse sentido. No entanto, o debate que já deveria estar adiantado no Congresso segue a passos lentos. Os políticos preferem focar mais na repressão aos usuários do que nos desmantelamento das quadrilhas internacionais.