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Algumas temas são não só recorrentes no debate no Brasil, como permanentes. Reforma tributária, reforma da Previdência, revisão do pacto federativo de 1988, déficit nas contas públicas, autonomia do Banco Central. E um mais abrangente que todos os demais, juntos: como fazer o País crescer e ocupar um espaço mais decente no contexto mundial.

Governo entra, governo sai, continua no ar a falta de solução para a equação de como fazer a roda da fortuna girar em um Brasil cada vez mais desigual, que perde o bonde da inovação tecnológica, que não consegue sair de sua função de ser fornecedor de alimentos para o mundo – que, por sua vez, processa nossas commodities e agrega valor –, entre outros nós górdios do nosso cardápio de desafios.

Atualmente, não é diferente com o governo do presidente Jair Bolsonaro (PSL), que se elegeu em outubro passado com a promessa de fazer a economia brasileira voltar a crescer, depois de vários anos de crise iniciada em 2014, com o conflito político que resultou no impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT).

Michel Temer (MDB) assumiu o governo federal em meio à expectativa de que o País seria recolocado nos trilhos, o que não aconteceu. Bolsonaro foi eleito com a forte esperança de que os brasileiros ingressariam em uma fase promissora, inclusive no que diz respeito à redução da violência, outra tragédia que atormenta a população.

Até agora, em quase cinco meses de mandato, o governo não adotou uma política econômica capaz de dar outro rumo para a economia estagnada e à beira de entrar em recessão. Situação essa que suscita, outra vez, o velho debate sobre como reanimar a atividade econômica, já que a equipe de Bolsonaro jogou todas as fichas na empacada reforma da Previdência, que não tem o poder de estimular consumo e investimentos no curto prazo, embora necessária.

Cortar mais os juros? Liberar crédito dos bancos públicos? Facilitar saques do FGTS e PIS-Pasep para injetar recursos na economia?

O caminho está aberto, mas quem está com a batuta na mão é o presidente da República e o ministro da Economia, Paulo Guedes.