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O eleitor brasileiro pode se preparar para os discursos dos presidenciáveis nos próximos meses prometendo dar total prioridade à educação em seus planos de governo, bem como elevar a valorização dos professores nesse processo. É preciso então cobrar dos candidatos um detalhamento de como pretendem recuperar o prestígio da docência perdido nas últimas décadas. Uma pesquisa recente apontou que apenas 5% dos jovens brasileiros de 15 anos revelaram o desejo de se tornarem professores no futuro, ante 21% que disseram pensar em se formar engenheiros. Em países como Coreia do Sul e Japão, a aspiração é quase inversa.

Boa parte das respostas sobre o motivo dessa perda de reputação da profissão de professor e possíveis soluções para reverter o quadro estão no livro “Profissão: Professor na América Latina” que o BID disponibilizou em seu site. Os coordenadores do estudo abordam explicações históricas e socioe econômicas para levantar as causas da deterioração da educação e comparam dados de reformas realizadas no Chile e no Peru para sugerir boas experiências a serem seguidas.

A queda na relevância da docência está diretamente ligada ao avanço da escolarização na região a partir da segunda metade do século XX, que exigiu a contratação de dezenas de milhares de professores pelos governos nacionais. Enquanto os agentes públicos se preocupavam com a quantidade, abriam mão da qualidade – até cursos por correspondência proliferaram - e as pressões orçamentárias e crises econômicas iniciaram o contínuo processo de encolhimento da remuneração. A maior participação feminina em outras profissões nas últimas décadas também ajudou na fuga de talentos, ampliando a deterioração.

Essa negligência na qualidade da formação inicial e a diferença salarial com outras carreiras têm sido enfrentadas nos últimos tempos com a criação negociada de planos de carreira e de remuneração baseados em desempenho e meritocracia. Também é importante melhorar a infraestrutura das escolas e estabelecer políticas transparentes de qualificação.