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A tecnologia tem mudado tanto os hábitos, costumes e linguagem que se tornou comum a escolha de expressões nascidas no ambiente virtual como a “palavra do ano” por empresas que editam dicionários. Segundo a Dictionary.com, nada define melhor 2018 do que o termo misinformation. Embora a tradução mais próxima seja “desinformação”, o conceito está relacionado à disseminação de informações incorretas, imprecisas ou incompletas, mesmo sem intenção, que levam a interpretações equivocadas. Ou seja, o está mais para o compartilhamento de notícias por pessoas mal informadas do que para a criação de fake news.

Por exemplo, quem inventou a notícia de que Donald Trump iria perdoar o atirador em massa Dylann Roof, que em 2015 praticou um massacre numa igreja de negros, criou a desinformation. Quem espalhou pelas redes, tendo acreditado ou não no boato, fez a misinformation. No Brasil, a eleição presidencial foi um momento propício para que rumores e mentiras viralizassem, criando um ambiente politicamente tóxico para ambos os lados.

E “tóxico” foi exatamente a palavra que a Oxford escolheu como a representante do ano que se encerra. Normalmente associado a substâncias químicas que envenenam oceanos, matas e o próprio ar, o termo também tem sido usado para definir ambientes de trabalho nocivos à saúde psicológica dos funcionários, a relacionamentos abusivos, à masculinidade exacerbada e até a propostas legislativas mundo afora.

Outras palavras que disputaram o topo na lista da Oxford são releituras de comportamentos antigos que ganharam contornos excessivos com o avanço das redes sociais. O orbting é uma perseguição virtual feita por alguém com quem a vítima não mantém uma relação próxima. Incel é um jovem que só sente alguma aceitação social na internet, impondo a si mesmo um celibato involuntário.

Mas críticas aos excessos desse planeta interconectado também fazem parte do novo léxico. Techlash, por exemplo, é a crescente reação negativa ao poder das grandes empresas de tecnologia, como Facebook e Amazon.