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Em paralelo às mudanças de comportamento humano no consumo de bens e serviços, em decorrência das inovações tecnológicas, mudanças relevantes estão acontecendo também por causa de outros fatores. Ganha cada vez mais importância a forma como os produtos estão sendo produzidos.

Recentemente, para citar um exemplo, uma rede de supermercados na Europa começou a boicotar em suas prateleiras os produtos importados do Brasil por causa da flexibilização do uso de agrotóxicos na agricultura, promovida pelo governo do presidente Jair Bolsonaro (PSL), piorando ainda mais a situação do País no ranking da aplicação desses produtos na alimentação humana e animal.

Nesta semana, pelo terceiro ano consecutivo, movimento internacional, liderado pela organização não governamental (ONG) Compassion in World Farming, mobiliza a população mundial em torno do Dia Internacional contra a Exportação de Gado Vivo, celebrado hoje. Objetivo é conscientizar as pessoas sobre o sofrimento dos animais exportados vivos para abate em outros mercados.

O movimento conta com 30 países participantes, inclusive o Brasil, que aderiu em 2018, quando a mobilização envolveu 33 nações. Este ano, 41 países farão manifestações. No Brasil, elas começaram ontem e se estenderão até domingo (16), coordenadas pelo Fórum Nacional de Proteção e Defesa Animal, em conjunto com organizações de diversas cidades. Ao todo, 12 cidades brasileiras participam do movimento global.

A diretora de Educação do Fórum, geógrafa Elizabeth MacGregor, disse à Agência Brasil que, embora existam leis que determinem tratamento humanitário para o transporte de gado vivo, "a questão do bem-estar animal é zero". Destacou que para o país, essa exportação é ruim "tanto na questão econômica, como na questão da imagem do país que, no momento, parece estar sendo deixada de lado".

Para um país agroexportador e um dos maiores produtores de carne animal do mundo como o Brasil, essas questões não podem mais ser ignoradas.