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No mesmo momento em que rebateu a reportagem, publicada no fim de semana pelo jornal O Globo, que dizia que o clã Bolsonaro já nomeou 102 pessoas com laços familiares, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) determinou, ontem, uma decisão que afeta as receitas das empresas de comunicação e a transparência das informações financeiras das companhias de capital aberto.

Medida provisória publicada ontem no Diário Oficial da União determinou a retirada da obrigatoriedade de empresas de capital aberto publicarem demonstrativos financeiros em jornais. Pela MP, essas companhias poderão publicar, sem custo, suas demonstrações financeiras nos sites da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e no Diário Oficial da União. A mudança vale a partir de primeiro de setembro deste ano.

 

O presidente fez questão de ressaltar que a decisão foi uma retribuição dele a parte dos ataques que diz ter sofrido da imprensa. “No dia de ontem [anteontem] eu retribuí parte daquilo que grande parte da mídia me atacou, assinei uma medida provisória fazendo com que os empresários que gastavam milhões de reais para publicar obrigatoriamente, por força de lei, seus balancetes nos jornais, agora podem fazê-lo no Diário Oficial da União a custo zero”, disse o presidente em discurso em Itapira (SP), onde inaugurou uma fábrica farmoquímica.

A Associação Nacional de Jornais (ANJ) disse ter recebido “com surpresa e estranhamento” a MP. “Além de ir na contramão da transparência de informações exigida pela sociedade, a MP afronta parte da Lei 13.818, recém-aprovada na Câmara e no Senado e sancionada pelo próprio presidente da República em abril. Por essa lei, a partir de 1º de janeiro de 2022, balanços de empresas com ações negociadas em bolsa devem ser publicados de modo resumido em veículos de imprensa na localidade sede da companhia e na sua integralidade nas versões digitais dos mesmos jornais”, diz a associação.

Pelo visto, Bolsonaro quer governar sem os jornais, justamente aqueles que têm sido mais críticos ao seu governo e comportamento.