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Com seis meses do ano já transcorridos e alguns cenários mais consolidados, algumas coisas, em termos de política econômica, começam a sair do plano das ideias e tendo que ir, obrigatoriamente, para o mundo real. Caso da política monetária, que na próxima semana deve iniciar nova fase, com novos cortes na taxa básica de juros, a Selic, entre 0,25 ponto porcentual e 0,5 ponto porcentual, sobre os atuais 6,5% ao ano.

O primeiro corte é esperado para a próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), em 23 e 24 deste mês. Outras reduções devem vir nas demais reuniões deste ano da direção do Banco Central, levando a Selic para 5,5% ao ano até dezembro próximo.

São várias as razões que devem levar o Banco Central a dar uma guinada na política monetária conduzida no primeiro semestre deste ano pela direção nomeada pelo presidente eleito em 2018. O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, repetiu à exaustão nos seis primeiros meses deste ano que somente após a aprovação da reforma da Previdência, a autoridade monetária poderia aliviar a taxa básica de juros, além, claro, do comportamento favorável da inflação. As mudanças no sistema de aposentadorias foi aprovado com folga em segundo turno e deve passar no segundo turno no início de agosto, sem riscos.

Os índices de preços estão cada vez mais favoráveis a cortes na Selic – o IPCA está estimado em 3,92% em 2019 e 3,94% em 2020 –, abaixo da meta estipulada para os dois anos.

Mas, fora isso, existem outras justificativas para a redução da Selic, que repercute nos juros de mercado. Nos últimos meses, os principais indicadores da economia apontaram para o enfraquecimento da atividade econômica, sejam eles de produção, consumo, empregos, renda, e até mesmo as sondagens de confiança de consumidores e empresários não são animadoras.

E, passada a reforma da Previdência, o governo sabe que precisa fazer a economia andar. Não vai dar para ficar no mesmo discurso, transferindo toda a expectativa para a próxima reforma, a tributária.