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Às vésperas do aniversário de 10 anos da fase mais aguda da crise econômica global de 2007-2008, surgem cada vez mais estudos para explicar as causas e os efeitos da maior destruição de valores – financeiros e sociais – dos tempos atuais. O novo livro “Crashed”, do historiador econômico inglês Adam Tooze, é até agora considerado o mais completo relato sobre o pânico daqueles dias, período ao qual o autor atribui aos novos tempos de nacionalismos, de ascensão da visão de democracia não liberal e dos extremismos.

O livro começa na madrugada de 16 de setembro de 2008, o dia seguinte à quebra do centenário banco Lehman Brothers, vitimado por uma superalavancagem em títulos de hipotecas subprime lastreadas em imóveis que vinham perdendo valor há pelo menos um ano. Na sessão de negócios daquele fatídico dia, nas bolsas dos EUA, US$ 1,2 trilhão das empresas americanas viraram pó, levando embora as economias de dezenas de milhares de investidores. O mercado de crédito global secou em poucos dias e a economia real sofreu o impacto direto do colapso financeiro, com conglomerados globais ficando à beira da bancarrota.

À época, a crença de que os mercados possuíam seus próprios mecanismos de regulamentação era tão grande que o ex-presidente do Federal Reserve, Alan Greenspan, dizia que pouco importava quem seria o próximo presidente dos Estados Unidos. O crash serviu então como um ponto de inflexão e inaugurou uma crise de confiança nas instituições que perdura até hoje. Muitos passaram a se perguntar o motivo de os governos terem permitido a irracionalidade de bancos operarem instrumentos derivativos que ultrapassavam em até 20 vezes as garantias reais de capital.

O sistema financeiro global foi salvo pelas ajudas bilionárias dos bancos centrais dos dois lados do Atlântico, mas a vida do restante das pessoas piorou. Segundo o The Center for Popular Democracy, a desigualdade social disparou na última década, o crescimento ficou mais lento e há nos EUA mais 6,2 milhões de pessoas na pobreza do que antes da crise.