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Após a enxurrada de críticas políticas feitas ao atual governo por artistas e população durante o Carnaval, o presidente Jair Bolsonaro parece que resolveu revidar. E pela forma que ele mais gosta, as redes sociais, eleita como o canal predileto para se dirigir aos brasileiros.

Mas, ao que tudo indica, o tiro pode ter saído pela culatra e ele acabou ultrapassando os limites do bom senso e da liturgia que o cargo de presidente exige.

Ao postar um vídeo obsceno, atacando o Carnaval, ele não levou em consideração que a festa é considerada uma das maiores do mundo e que atrai atenção global para o Brasil. Desconsiderou ainda seus efeitos econômicos com os quase R$ 7 bilhões movimentados neste período, gerando cerca de 23,6 mil vagas num país cuja taxa de desemprego se encontra em aproximadamente 12%.

A repercussão tanto nacional como internacional foi a pior possível. Veículos estrangeiros como norte-americano The New York Times, e os jornais britânicos Daily Mail, The Independent e Daily Mirror enfatizaram o aspecto explícito do vídeo postado. O The Independent ainda mencionou a sequência dada à polêmica pelo próprio presidente ao publicar outro tuíte. “O que é golden shower?”.

Segundo o jornal, “os brasileiros rapidamente condenaram o tuíte de Bolsonaro como algo que não representa o Carnaval” e ressaltou que usuários do Twitter têm reportado o vídeo como sendo de conteúdo inapropriado. Já o Mirror, que publicou o vídeo em destaque, diz que Bolsonaro se destaca por sua reputação “racista, sexista e homofóbica”.

Isso tudo acaba de novo tirando o foco daquilo que realmente deveria estar no centro das atenções de Bolsonaro: a aprovação da Reforma da Previdência.

Em dois meses de governo, a palavra Previdência apareceu apenas seis vezes em seu Twitter, conforme um levantamento do site político Poder 360. O que nos leva a crer que deixar de ser pedra para se tornar vidraça tem sido um caminho muito difícil para o presidente. E pior, pode estar tirando sua atenção dos assuntos mais sensíveis que exigem dele mais afinco.