Publicado em

Não está clara ainda a intenção das declarações catastróficas nos últimos dias, de autoridades do governo e do Congresso Nacional, sobre os rumos do País. Anteontem(14), enquanto o presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), avaliava de Nova Iorque que a reforma da Previdência não será suficiente para recuperar a economia e reduzir o desemprego, e que uma revisão do teto de gastos é necessária, pois, sem isso, haverá “um colapso social”, em Brasília o ministro da Economia aumentava o drama.

Paulo Guedes disse na Comissão Mista de Orçamento do Congresso que o país pode ser engolido por um “buraco negro fiscal”. Ele apelou aos parlamentares para aprovar o projeto de crédito suplementar de R$ 248 bilhões até junho para evitar falta de dinheiro para um shutdown no Orçamento Geral da União deste ano.

Ou seja, se o governo não for autorizado pelo Legislativo para se endividar para cobrir gastos correntes, o que é proibido pela “regra de ouro” prevista na Constituição, seria interrompido o pagamento de gastos com benefícios do Bolsa Família, Plano Safra, Minha Casa Minha Vida, dentre outros gastos sociais.

Essas declarações podem conter exagero visando aumentar a pressão ao Legislativo para aprovar a reforma da Previdência? O fato é que a economia não vai nada bem. Guedes já admitiu que o governo reduziu para 1,5% a taxa de avanço do PIB deste ano. O Comitê de Política Monetária afirmou que o contexto econômico aponta para uma queda do PIB no primeiro trimestre deste ano. E o mesmo já começa a ser cogitado para o segundo trimestre, o que colocaria o País em recessão técnica. Ontem, o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) foi no mesmo caminho: após recuar 0,98% em fevereiro, a economia recuou de novo em março – 0,28% ante fevereiro.

E o governo enfrentou, ontem, a primeira grande manifestação pública, desta vez por parte do setor de educação, contra cortes de gastos nas universidades.

Diante de tudo isso, fica difícil acreditar que o futuro próximo será melhor.