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Uma instituição bancária pública federal admitiu, recentemente, 174 pessoas com deficiência no seu quadro de funcionários, o que é muito bom. Mas, a notícia veio com a seguinte informação: ainda precisam chegar a 2.500 colaboradores, indicando o desafio para o cumprimento da legislação, até mesmo por parte de um grande banco.

A Lei 8213/1991 há 28 anos instituiu a obrigatoriedade de cotas para esses brasileiros no mercado de trabalho e previu que organizações com mais de 100 membros destinem uma porcentagem de vagas à pessoas portadoras de alguma deficiência.

Então, um banco desse porte, precisa reservar 5% dos seus cargos. E, assim como diversas empresas, está encontrando dificuldades para contratar esses colaboradores.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), as pessoas portadoras de deficiência no Brasil representam cerca de 6,7% da população total, mas dados do Ministério do Trabalho apontam que apenas 1% delas é inserida em empregos formais. Um levantamento da ASID Brasil – Ação Social Para Igualdade das Diferenças mostrou que a área de recursos humanos, muitas vezes, tem como meta contratar 40 pessoas com deficiência em um mês para cumprir a lei, mas nesse período, 60 delas são desligadas, criando um ciclo eterno.

De acordo com Luiz Hamilton Ribas, cofundador da ASID Brasil, a causa dessa situação é simples: as contratações são feitas às pressas para bater a cota e não pagar multa. Essas pessoas não são retidas e, no ano seguinte, os recrutadores vão passar pelo mesmo sufoco. Para evitar isso, as empresas precisam criar uma cultura inclusiva. É ensiná-las a como fazer uma inclusão de qualidade, envolvendo lideranças e equipes, atração de talentos e acompanhamento para reter o talento das pessoas com deficiência – na maioria das vezes, não aproveitado.

No contexto da diversidade no quadro de funcionários das empresas, dar espaço aos portadores de deficiência ainda é um tabu.Apenas cerca de um quarto delas está perto de cumprir a Lei de Cotas.