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A maior parte dos governantes brasileiros continua olhando para as catástrofes naturais decorrentes das mudanças climáticas como boa parte da população: isso é coisa de ecologista. Essa visão da população pode ser perdoável, pois o nível de instrução dos brasileiros, infelizmente, continua aquém do considerado razoável para a promoção da plena cidadania. Mas, por parte das autoridades, é inaceitável.

O ciclone que varreu Moçambique, na África, e as chuvas torrenciais, anteontem (9), no Rio de Janeiro, são dois exemplos recentes do que os cientistas estão chamando de o “novo normal” dos eventos da natureza, cada vez mais graves. Chuvas em excesso, ventos destruidores, avanço das águas dos mares, entre outras distorções do que o planeta conhecera até anos atrás.

Com tantas evidências de que a natureza ocasionará situações dramáticas, governantes deveriam pensar em como prevenir, ou pelo menos mitigar, as consequências trágicas dos fenômenos climáticos, já que, por enquanto, a humanidade ainda não sabe como controlá-los – ou pior, não toma as providências para reduzir o avanço dessas catástrofes, ignorando a necessidade de redução de emissão de gases de efeito estufa.

Só para ficar no nosso país: do total de 4.669 obras paralisadas no âmbito do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), 132 empreendimentos são para prevenção em áreas de risco de desabamentos. Outras 195 obras paradas são destinadas à drenagem de águas em grandes centros urbanos. Se estivessem prontas, ajudariam a evitar enchentes nas cidades, como a que ocorreu nesta semana no Rio de Janeiro e matou dez pessoas.

O foco no ajuste fiscal que predominou nas políticas públicas nas últimas décadas cortou a fundo os investimentos públicos, inclusive em áreas prioritárias, como saúde, educação e prevenção de enchentes, inclusive as que foram iniciadas no âmbito do PAC. Como fazem parte dos governos do PT, nem as administrações de Michel Temer (PMDB), nem de Jair Bolsonaro (PSL) têm interesse em levá-las adiante. Enquanto isso, os brasileiros ficam desabrigados.