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Apesar do otimismo dos empresários ainda parecer em alta, o desempenho de alguns indicadores anda decepcionando. Em fevereiro, por exemplo, os dados da 72ª rodada do Indicador de Atividade da Micro e Pequena Indústria de São Paulo, divulgado pelo Sindicato da Micro e Pequena Indústria (Simpi), mostram que a insatisfação com o faturamento em fevereiro atingiu 39%, 10 pontos percentuais a mais do que em janeiro, com 29%. O resultado negativo é o pior desde fevereiro de 2018, quando atingiu 44%. O percentual de dirigentes das micro e pequenas consideraram o faturamento como “ótimo ou bom” caiu para 29%, ante 31% em janeiro. Já em relação à margem de lucro, 41% dos empresários da micro e pequena indústria consideraram como “ruim ou péssima” em fevereiro, ante 32% em janeiro. Enquanto isso os satisfeitos com a margem de lucro caiu de 30% em janeiro para 26% em fevereiro.

E os resultados não estão ruins só para os pequenos. A indústria e o comércio já registraram queda em janeiro, sendo acompanhados pelo segmento de serviços. Os indicadores, todos apresentados na última semana pelo Instituto Brasileiro de Geografia Estatística (IBGE), acendem o sinal amarelo para analistas e consultores, que esperavam um início de ano que, ao menos, abrisse caminho para uma retomada. Mas ao contrário disso, os dados fecham uma tríade preocupante: baixa demanda, pouca confiança e crédito caro. O que pode representar nova estagnação da economia para 2019. Indicadores divulgados ontem confirmam a desaceleração da atividade neste ano. Entre eles, o IBC-BR, prévia do Produto Interno Bruto (PIB) do Banco Central (BC), que recuou 0,41% em janeiro ante dezembro, atingindo menor patamar desde outubro de 2018, o que indica menor tração da economia, dizem analistas. No mesmo desânimo, segue a pesquisa Focus do BC, que mostrou que os analistas encaram as perspectivas para o ano dentro de uma nova realidade. A projeção de crescimento do PIB em 2019 desacelerou para 2,01%, abaixo das estimativas de 2,28% há uma semana, e de 2,48% há um mês. Ou seja, na prática, o otimismo não se confirma.