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Na semana passada, durante evento com servidores do Palácio do Planalto, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) disse que não tinha nascido para ser presidente e sim militar. Reclamou das dificuldades de ocupar o cargo e tentou passar a ideia de que está se esforçando para fazer o seu melhor no cargo, que ocupa há cem dias, completados hoje.

Passado esse período de “teste” do governo Bolsonaro, em que não faltam avaliações de todos os matizes políticos e ideológicos, várias questões estão colocadas rumo ao futuro, que é o que interessa. Com base, claro, nesse breve passado que compõe a estréia do presidente eleito em outubro último, em uma das eleições mais disputadas da história do País.

A primeira questão é: como serão os próximos cem dias do governo Bolsonaro? Será a repetição dos desencontros internos, que já resultaram na troca de dois ministros, colocou mais foco em uma polêmica agenda de costumes em detrimento de propostas para destravar os investimentos, fazer a economia andar, reduzir o desemprego, entre outras medidas que eram aguardadas com ansiedade pela população – eleitores ou não do novo presidente.

Até agora, com algumas exceções, o governo gastou sua energia nas duas únicas propostas – a reforma da Previdência Social e o pacote anti-crime –, com muitos desentendimentos com o Congresso Nacional. Enquanto Bolsonaro e sua equipe ministerial combatem a “velha política”, não conseguem avançar em uma nova prática política, desgastando sua relação com deputados e senadores e, com isso, complicando ainda mais a tramitação de matérias que, por si só, já envolvem muitos conflitos.

Infelizmente, o Brasil não é para principiantes, como bem sabemos. Portanto, parece dificultar ainda mais para um presidente da República exercer o mandato sabendo não ter vocação para governar o País, e que preferia continuar sua vida de militar. E, descontada a dose de informalidade e espontaneidade de Bolsonaro ao fazer essas declarações, a passagem dos seus primeiros cem dias na cadeira de presidente da República deveria servir para uma reflexão levada a sério.