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Na véspera do Dia do Trabalho, e diante do crescimento do desemprego, subutilizados ou subocupados, o governo federal anunciou medidas para estimular as atividades que podem virar micro e pequenas empresas.

Foi uma tentativa de contrapor os dados oficiais bastante negativos sobre o mercado de trabalho no País, que pioraram nos quatro primeiros meses deste ano, ou seja, na administração do presidente Jair Bolsonaro (PSL).

A taxa de subutilização da força de trabalho foi de 25% no trimestre encerrado em março, recorde da série histórica iniciada em 2012, o que representa cerca de 28,3 milhões de pessoas. Em relação ao último trimestre de 2018, mais de 1,5 milhão de brasileiros passaram a se enquadrar nessa situação.

Por mais imbuída de boa intenção, no entanto, a Medida Provisória da Liberdade Econômica, anunciada na terça-feira (30), só terá sucesso se houver crescimento da atividade econômica, o que está difícil neste ano, contrariando todas as expectativas de 2018 e do início de 2019. As últimas projeções do mercado e do próprio governo, por meio do Banco Central, indicam um desempenho pífio ao redor de 1% neste ano, mesmo patamar do ano passado.

Não é preciso ser economista para concluir que, sem consumo, a economia não gira. Do CEO da Ambev ao pipoqueiro da esquina, passando pelos mais variados portes de prestadores de serviços e comércio de venda de bens e produtos, todos sabem que não dá para ignorar uma das regras básicas da economia: vira prejuízo o que for produzido sem ter para quem vender.

Facilitar a abertura e o fechamento de empresas no Brasil é uma demanda muito antiga e faz todo o sentido. Porém, sozinha, a desburocratização não fará milagres no sentido de estimular o batalhão crescente de desempregados, subutilizados e desocupados e buscar um CNPJ para buscar a renda necessária à sua sobrevivência e de sua família.

O mais previsível é que, sem um rumo claro da política econômica em prol do aumento do emprego e da renda dos brasileiros que vivem de seu trabalho, os novos empreendedores continuarão sobrevivendo na informalidade.