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Um dos efeitos colaterais do acirramento da guerra comercial entre os Estados Unidos e a China é o aumento do risco de uma desaceleração global. Se isso se confirmar, só pioraria o cenário da economia global em um período em que as perspectivas já não são muito animadoras, com a maioria dos continentes enfrentando sérios desafios.

Como definiu Daniela Casabona, sócia-diretora da FB Wealth, a possibilidade de as negociações entre EUA e China voltarem ao zero atormentou o mercado global de forma geral, com queda generalizada nas bolsas de valores mundo afora, inclusive no Brasil, e aumento do dólar. As quedas das bolsas, na cotação de algumas commodities e moedas era esperado desde os tuítes do presidente norte-americano Donald Trump anunciando o aumento das tarifas de produtos chineses importados pelos EUA. A Bolsa de Valores chinesa teve a sua maior queda desde 2016.

Mesmo que a promessa de Trump não passe de bravata, no âmbito da corrida presidencial que já começa a acontecer nos EUA, e isso somente o futuro próximo dirá, o fato é que uma alteração brusca na atual relação comercial entre as duas principais potências mundiais poderá causar estrago significativo no comércio global.

O governo chinês enviará uma delegação do país aos Estados Unidos para uma nova rodada de negociações, mas a data ainda não está definida. O mundo inteiro está de olho no avanço dessas conversações, pelo peso que a situação joga no contexto mundial, recheado de incertezas.

No Brasil, as primeiras avaliações de especialistas foram positivas, considerando os possíveis benefícios nas exportações brasileiras para a China, em substituição às vendas de mercadorias norte-americanas para aquele país asiático. Especialmente as exportações de soja e de carne suína poderiam crescer se o governo norte-americano executar as ameaças de taxar as importações de produtos chineses.

Outra consequência, esta negativa para o Brasil, seria a China ampliar a colocação de seus produtos no mercado brasileiro, o que seria prejudicial à nossa indústria, que há anos anda mal das pernas.