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Parece haver pouca dúvida de que Jair Bolsonaro (PSL) já atingiu um patamar suficiente de intenções de votos para garantir a presença no segundo turno das eleições. O misto de moralismo e antipetismo já deixavam o ex-capitão do Exército num confortável degrau de 20% das preferências nas pesquisas e o atentado contra sua vida atraiu alguns indecisos de viés mais conservador, jogando o candidato para o nível de 28% (Ibope e Datafolha). Se persistir mesmo a polarização com a esquerda, com uma disputa contra Fernando Haddad (PT) ou Ciro Gomes (PDT), como os dois lados farão ara agregar o voto centrista?

Haddad saiu na frente nessa disputa por eleitores não extremistas. Reduziu a importância e a influência de economistas mais dogmáticos como Marcio Pochmann em sua campanha, passou a fazer acenos ao setores empresarial e financeiro e chegou até a admitir ampliar a idade mínima para a aposentadoria. Já se fala até na indicação de um ministro da Fazenda com perfil mais Joaquim Levy e menos Guido Mantega num eventual governo.

Ciro Gomes, por sua vez, preferiu reforçar suas convicções econômicas, mantendo a previsão de revogar reformas do governo Temer, proibir a venda do controle da Embraer para a Boeing e usar parte das reservas internacionais para abater a dívida pública. O grande trunfo, no entanto, seria evitar o excesso de subvenções e renúncias fiscais que marcaram a gestão Dilma Rousseff.

Do lado bolsonarista, o economista Paulo Guedes voltou a aparecer após um período de silêncio e já causou um ruído de campanha ao incluir nas propostas de simplificação tributária a volta de um imposto compulsório sobre as movimentações financeiras. O fantasma da volta da CPMF, com alíquota maior que a antiga, assustou o setor financeiro e começou a ser usado por adversários, obrigando um desmentido do núcleo da campanha. No mínimo, a unidade de pensamentos e planos para a economia foi colocada em xeque.

Todos estão pisando sobre ovos. Quem assustar menos o eleitor centrista herdará seus votos no segundo turno.