Publicado em

O avanço do debate da reforma da Previdência, com forte tendência ao endurecimento das regras atuais, incluindo a redução do valor dos benefícios das aposentadorias e pensões de quem depender somente da Previdência Social, reforça o discurso da necessidade de os brasileiros da chamada terceira idade criarem uma fonte alternativa de renda para o futuro.

No bojo dessa questão, surgem ideias que vão desde as mirabolantes às sensatas, passando pelas razoáveis. Sem dúvida, empreender na fase em que as pessoas deveriam estar apenas desfrutando do que plantaram durante toda a vida, é um tema recheado de apelo, inclusive porque estamos em um momento de adiamento do envelhecimento, ou alongamento da idade ativa dos adultos.

No entanto, empreender por conta própria também tem sido o caminho – talvez o único – encontrado por milhões de brasileiros que perderam seus empregos por causa do encolhimento da economia, em decorrência das sucessivas crises enfrentadas pelo País, ou pelo impacto das transformações tecnológicas na área do trabalho e das profissões.

Com o Produto Interno Bruto (PIB) praticamente estagnado no Brasil, incluindo as previsões para este ano, que retrocedem a cada mês – agora para a casa de 1,5% em relação a 2018 –, por mais boa vontade e talento que os novos empreendedores tenham, sejam eles jovens ou maduros, cresce o risco de as economias reunidas durante toda a vida acabarem virando prejuízo.

O governo do presidente Jair Bolsonaro (PSL) anunciou várias medidas para facilitar ou desburocratizar a jornada de quem parte para um micro ou pequeno negócio próprio. Sem considerar que a maioria das ações pode criar insegurança jurídica, por interferir em marcos regulatórios já existentes, as medidas correm o risco de efeito inócuo.

O governo centralizou todos os esforços na aprovação da reforma da Previdência com o discurso de que ao minimizar o desequilíbrio das contas públicas, a economia entrará nos eixos. Mas até agora não mostrou como o emprego e a renda vão melhorar para aquecer o consumo e recuperar a economia.