Publicado em

A viagem que o presidente Jair Bolsonaro (PSL) faz nesta semana a Israel vai revelar mais um parte relevante da política externa do atual governo. E, a exemplo do que foi a visita de Bolsonaro aos Estados Unidos, recentemente, tudo indica que a ocasião vai levantar muita polêmica.

A começar pela queixa, na sexta-feira (29), do embaixador palestino no Brasil, Ibrahim Alzeben, em relação à negativa do governo sobre o convite dos palestinos “para servir como um mensageiro de paz e como ponte para duas nações em conflito, dando continuidade à política equilibrada dos governos brasileiros desde a criação do Estado de Israel até agora”.

Até a tarde da última sexta-feira, a embaixada da Palestina em Brasília não tinha uma resposta ao convite para visitar a Igreja da Natividade, em Belém, na Cisjordânia, e se reunir com autoridades palestinas.

O embaixador ressaltou que a diplomacia brasileira sempre contemplou os dois lados do conflito – ou seja, Israel e os palestinos – ao longo dos tempos. “Queremos que o Brasil siga como um fiador da paz e não parte do conflito”, enfatizou Alzeben.

Para tentar amenizar a posição pró-Israel de Bolsonaro e a proximidade com o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, o governo brasileiro deve anunciar às autoridades israelenses a abertura de um escritório de negócios em Jerusalém, no lugar da transferência da embaixada instalada em Tel Aviv, o que equivaleria a reconhecer a cidade como capital de Israel, e atenderia a uma demanda do governo israelense. Em sua passagem pelo Brasil, em dezembro, o próprio Netanyahu disse que Bolsonaro se comprometeu a mudar o local da missão diplomática brasileira.

Embora saia “do ritmo normal da política brasileira e não ajuda no processo de paz e não ajuda na paz do Oriente Médio", como disse o diplomata palestino, a abertura de um escritório em Jerusalém representa um certo recuo.

Mas, se essa “cautela” será suficiente para evitar eventuais estragos no comércio exterior, especialmente com os países árabes, só o tempo dirá.